Mostrando postagens com marcador Futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futebol. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sem o povão o itaquera não é o estádio do timão

- Maio de 2014


Nunca vi uma reação tão indignada da torcida Corinthiana quanto esta em relação ao preços dos ingressos no estádio novo em Itaquera.
Foi um tapa na cara. Uma verdadeira traição. Conseguiram transformar um momento que seria unicamente de celebração e festa numa amargura sem tamanho.
Se nem a classe média consegue pagar preços tão abusivos, imaginem o nosso povo humilde que carregou esse clube nas costas desde sempre.
A ganância dos "donos do estádio" impede que eles tenham uma visão comercial estratégica adequada.
A febre do ouro faz com que se mate a galinha dos ovos.
Vejo muitos Corinthianos dizendo que não vão mais ao estádio ver o Timão. E da pra ter uma idéia do que isso significa? Da pra perceber a gravidade dessa atitude?
A euforia pode ser rapidamente substituída pela revolta e ressentimento.
Para o Corinthiano ficar sem ver o Corinthians é equivalente a faltar água, arroz, feijão e até mesmo o ar. É uma agressão sem limites.
Os nossos "executivos" estão na ilha da fantasia do poder e não conseguem entender o tamanho do Corinthians. Estão criando uma crise social e política com consequências ainda desconhecidas.
O curioso é que eles falam com tanta pompa em "futebol negócio", mas exigem este choque de capitalismo justamente da parte mais fraca que é o torcedor. No caso deles, dirigentes, a eficiência não parece ser a mesma. Contratam um jogador meia boca por 40 milhões para reforçar o rival, pagando o salário do indivíduo. 
Isso é futebol negócio? O Presidente Mario Gobbi antes de assumir esbravejou frente aos microfones chamando o torcedor de idiota por não perceber a natureza mercantil do futebol.
Ora, se a lógica do mercado fosse aplicada a um executivo que investe 40 milhões para reforçar o concorrente pagando ainda seus dividendos, este profissional já estaria no olho da rua!
Esfolar o torcedor e roubar o seu sonho nada mais é do que uma violência social!
Estes senhores permanecem sem entender o que o Corinthians representa. Os propósitos que ele atende para muito além do futebol.
Afastar o Corinthians de seu povo e a cultura de freqüentar o estádio nada mais é do que roubar uma parte de nós mesmos.
O Corinthians é uma cicatriz na nossa alma.
Insensíveis e gananciosos. Vocês não entendem nada do que é o Corinthians, do que é a nossa cultura e muito menos de negócios. 
Roubar do Corinthiano a cultura de freqüentar o estádio é jogar fora o nosso maior patrimônio. O que nos torna diferentes e gigantescos. A experiência de ser Corinthiano é fundamental e alimenta todos os outros interesses.
Sem o povão lá dentro, este jamais será o estádio do Corinthians.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O desgaste dos técnicos palestrantes


Poucas coisas estavam tão na moda nos anos 90 como palestras motivacionais com pitadas de neurolinguística vulgar.

Esta década foi marcada pelo grande “boom” do mercado de auto-ajuda com livros, filmes e técnicas para superar as adversidades sem eleger nenhum inimigo político como elemento causador das dificuldades da vida cotidiana.

A década começou sob os reflexos da queda do muro de Berlim. A partir de então só existiria um modo de vida predominante e os indivíduos deveriam se adaptar ao “choque de capitalismo” que estaria por vir, modernizando nossas instituições e trazendo as bênçãos do mundo empresarial que exigiria de cada um de nós o máximo de eficiência.

Deveríamos enfrentar os nossos inimigos internos e exorcizar nossos íntimos fantasmas para nos adaptarmos a nova realidade.



Os sindicatos nunca estiveram tão em baixa como neste período. Ao invés de brigar contra o patrão, as pessoas deveriam se preparar para incorporar os valores corporativos e se tornarem partícipes do sucesso empresarial. Além do mais, a fila de desempregados à espera de uma oportunidade no mercado de trabalho estimulava e justificava o crescimento individual como um valor em si mesmo.

Essa moda chegou ao futebol brasileiro no mesmo período.

Os técnicos bem-sucedidos em suas conquistas comportavam-se como executivos e tentavam multiplicar os valores próprios daquele tempo como superação, espírito de equipe e autocontrole para os atletas de suas equipes.

Sem dúvidas, o mais bem sucedido desta geração foi Vanderlei Luxemburgo.

Sempre vestindo um terno, gabava-se de implementar uma nova “filosofia de trabalho” e gostava de se aproveitar dos deslizes verbais dos adversários para motivar seus comandados. Luxemburgo tomou tanto gosto pela tarefa que passou a se comportar mais como um gerente de futebol ou empresário do que treinador.

Mas não restam dúvidas quanto à capacidade de Luxemburgo. Ele tinha ao seu favor o fato de conhecer muito sobre futebol e era muito competente no ofício de treinador.

No entanto, o sucesso de Luxemburgo favoreceu a chegada de toda uma geração de técnicos motivadores e palestrantes.

A preleção destes técnicos era sempre regada a vídeos motivacionais e a um linguajar gerencial.

Neste período, os técnicos “boleiros” icaram fora de moda.

A exceção era Luis Felipe Scolari que ao contrário de seus colegas, usava o agasalho da equipe ao invés do famigerado terno. Felipão até reunia qualidades de um motivador, mas seu modo de trabalho estava mais ligado à mobilização do grupo contra um “inimigo” eventual, que poderia ser o time adversário, a imprensa, a própria torcida, a desconfiança geral ou inclusive os seus próprios dirigentes.

Uma cena comum nas vésperas de decisões de campeonato eram os técnicos utilizando recortes de jornais com as declarações dos adversários para motivação geral do “conjunto de atletas”.



Os sucessos recentes de Muricy Ramalho parecem ter desgastado o discurso polido e cheio de jargões corporativos dos técnicos yuppies.

O próprio Luxemburgo que colecionou fracassos nos últimos anos parece ter percebido que seu antigo discurso se desgastou e arrancou o terno e a gravata, vestindo o agasalho do Flamengo (sua equipe do coração) e retomando o gosto por sua atividade de treinador.

Mano Menezes parece se manter fiel a safra de palestrantes. Seu discurso dá sono.

Mas o técnico campeão mundial do tédio é o Tite.

Nas últimas rodadas, o Corinthians adquiriu a cara de seu treinador. Assistir aos jogos do Corinthians às vezes dá muito sono e suas jogadas são previsíveis como o discurso de Tite. É um nhem nhem nhem danado. Muito papinho. “Fala muito” o Tite.

Esta proclamada “filosofia de trabalho” dos técnicos palestrantes se decompôs. Tal qual os pilares da economia de mercado que só funciona em situações de crise que tendem a ser favorável para pouquíssimos mediante o sacrifício de muitos.