Enquanto rolam os Jogos Olímpicos, a Síria está dividida em
uma guerra civil sem prazo para terminar.
Em nome da democracia, os países ocidentais não disfarçam
seu apoio às tropas rebeldes que avançam contra o exército de Assad.
Estes rebeldes Sírios recebem dinheiro e armas para combater
o regime autoritário daquele país. São os “rebeldes do bem”. Assim como os “terroristas do bem” que
executaram em praça pública o Kadaffi, presidente da Líbia. Todos tratados como
heróis.
A “exportação” da democracia liberal tornou-se nas últimas
décadas uma cruzada do “Eixo do bem” contra o “Eixo do Mal”, segundo
caracterização do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush.
Em nome desta democracia, tão cara à burguesia, foram
realizadas guerras e bombardeios que custaram a vida de milhares de pessoas,
além de bilhões de dólares nas contas da indústria bélica estadunidense.
O resultado mais visível destas guerras é o colapso na
economia dos Estados Unidos com efeitos em dominó nas bolsas dos países do “centro”,
derretendo o neoliberalismo.
Milhões de desempregados e endividados têm saído às ruas dos
países ricos, protestando por transformações em seus modelos econômicos.
Porém, seja em Wall Street, seja em Madri, em Londres, ou mesmo
em Paris, a reação destes governos é sempre a mesma: prisão dos manifestantes e
paulada para dispersar a multidão.
Em Londres, alguns jovens continuam presos somente por
convocar as manifestações por meio das redes sociais.
Os rebeldes sírios ou líbios são brindados como heróis e
recebem armas e dólares para derrubar seus governos e defender a “democracia”.
Já os manifestantes dos países ocidentais são tratados como
bandidos terroristas e colocados na cadeia.
Voltando aos Jogos Olímpicos, tomamos conhecimento que foi
proibido nos locais de competição, como estádios e ginásio, o uso de camisetas
que contenham conotação política.
A ordem é impedir a entrada de torcedores exponham seus
pensamentos políticos, ou mesmo os que inadvertidamente estejam vestindo camisetas
“políticas”, com especial atenção às camisetas com a face do Che Guevara.
Atletas também foram advertidos da proibição de quaisquer
formas de manifestação ideológica.
Alguém poderia explicar do que se trata esta abstração que é
a democracia liberal burguesa?
Por que será que somente os governos “não alinhados” com o “eixo
do bem” são tratados como autoritários?
Irã, Cuba, Venezuela, Bolívia e Argentina são exemplos de
países tratados como ditaduras, ou governos totalitários, embora quase todos
estes tenham eleições regulares.
Será que esta liberdade de expressão, pensamento e
organização política é mesmo respeitada nos países “desenvolvidos”?
Ou esta democracia liberal burguesa, pela qual milhares de
jovens vêm morrendo em cruzadas estúpidas, é só mais uma farsa cada vez mais
escancarada aos olhos e bolsos nus da comunidade internacional?


