sábado, 8 de outubro de 2011

No Jobs

Frase de um tuiteiro norte-americano.

"Ten years ago we had Steve Jobs, Bob Hope and Johnny Cash - today we have no jobs, no hope and no cash"

* Dez anos atrás nós tínhamos Steve Jobs, Bob Hope e Jonny Cash, hoje estamos "sem Jobs" (trabalho), "sem Hope" (esperança) e sem Cash (dinheiro).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A morte de Steve Jobs e a crise mundial



Certa vez vi o comentário de um analista sobre a crise americana e a ascensão da economia chinesa.
Ele dizia que os Estados Unidos permaneceriam sendo a grande potência econômica por sua capacidade de criação, enquanto a China estaria sempre satisfeita em copiar. O mundo é de quem cria, dizia ele.
Como se as maiores invenções da humanidade  não tivessem sido criadas na china.
E como se a transformação de uma economia agrária na maior potência industrial do planeta a partir da incorporação da capacidade produtiva dos países ricos que desejavam se livrar dos “transtornos” dos trabalhadores operários não fosse uma criação ou recriação em si mesma.
Mas os EUA acabam de perder o maior empresário dos últimos anos, Steve Jobs.
A morte prematura deste talentoso executivo causa perplexidade, principalmente porque ela ocorre justamente nos piores dias da economia norte-americana desde a crise de 1929.
Se muitos comentam a possível queda da hegemonia estadunidense, a perda do maior nome da criação industrial deste século certamente deixa um vazio ainda maior na maior economia global.
Enquanto muito se discute sobre a crise econômica mundial, fica claro que esta moléstia somente poderá ser superada caso haja uma solução para a crise política nos países ricos.
Steve Jobs foi mais que um empresário, foi um líder que inspirou toda uma geração em um mundo escasso de estadistas.
O governo Bush foi uma tragédia, principalmente para os próprios Estados Unidos. Barack Obama, até então, tem sido uma imensa decepção. Ele e os principais líderes europeus estão perplexos tentando se safar de uma quebradeira geral, mas sem coragem para transformarem as bases da economia neoliberal que deteriora o capitalismo global.
O cenário é horroroso porque a oposição aos atuais governos, em sua grande maioria, é composta por políticos ainda mais conservadores e míopes.
Enquanto Jobs criava, a economia do atlântico norte se organizava (ou se desorganizava) com executivos planilheiros capazes apenas de cambiar papeis, títulos e ações. Levantar mais e mais capitais sem que houvesse uma equivalência deste montante em produção e trabalho. Valia de tudo na farra especulativa. Balanços falsos e muito dinheiro dos governos para cobrir o rombo dos yuppies canalhas e incompetentes.
As criações de Steve Jobs garantiram o crescimento econômico asiático onde as mercadorias eram produzidas. Para Estados Unidos e Europa, os trabalhadores industriais tornaram-se um gasto desnecessário. Trabalhadores reclamam, fazem greve, se aposentam e pedem garantias demais.
Não é difícil entender porque durante a era Jobs foi cavada uma profunda cova pelos financistas neoliberais que torna tão difícil a recuperação nestes países onde  a renda do trabalhador está achatada e o mercado financeiro represa as riquezas.
Num mundo tão opaco de estadistas não é de se surpreender que a perda de um empresário cause tanta comoção mundial.
O criador se foi. Agora restam os pragmáticos especuladores.

Privatizada, Linha 4 Amarela não mantém a qualidade histórica do Metrô de São Paulo



Aos que consideravam a baldeação na estação Sé do Metrô uma experiência de aventura, faço aqui um convite para que tentem embarcar na nova Linha Amarela na estação Consolação do Metrô na hora do rush.
A Estação Sé foi inaugurada em 1978, há 33 anos.
Ainda sim, parece ser uma obra muito mais moderna do que algumas estações da Linha 4 Amarela.
Enquanto na Sé ficamos impressionados com o vão livre que permite a chegada de luz natural, a Estação Paulista é um verdadeiro teste para os claustrofóbicos.
Saindo da Estação Consolação da Linha Verde, caminha-se por um túnel comprido e abafado que depois de muitos metros nos leva à Estação Paulista da Linha Amarela.
Foram instaladas esteiras rolantes que deveriam facilitar a jornada, mas as máquinas com poucos meses de uso estão sempre desligadas. Não se sabe se elas estão danificadas ou foram deixadas fora de serviço. O fato é que é praticamente impossível encontrar o equipamento funcionando nos horários de pico.
O jeito é ir pelo túnel feio e apertado. Caminhar em uma fila imensa onde as pessoas se parecem mais com gados indo rumo ao abate.
Os acessos são muito limitados e os funcionários fazem uso de megafones para avisar o caminho que as pessoas devem percorrer.
Quando se chega à plataforma de embarque acontece uma nova aventura.
Como as estações recentemente inauguradas não têm saídas para os dois lados do trem, o transeunte pode ser surpreendido por uma avalanche de pessoas que saem na direção contrária trombando umas nas outras.
A construção da Linha Amarela foi conturbada desde o início.
A entrega da obra atrasou mais de dois anos.
Em 2007 uma imensa cratera se abriu onde atualmente está  a Estação Pinheiros. Sete pessoas foram mortas, além de inúmeros prejuízos materiais.

A Linha 4 Amarela é a primeira do metrô que foi construída através de parceria público privada.
O consórcio vencedor foi o mesmo grupo que opera o Rodoanel, a Via Oeste e a famigerada Controlar, responsável pela inspeção veicular no governo Kassab.
Dentro dos trens, um vídeo sobre a nova linha é apresentado aos passageiros. Parece que o governo do estado e a Linha 4 orgulham-se de os trens serem importados da Coréia do Sul, gerando emprego e renda para nossos amigos coreanos, em detrimento do nosso mercado interno.
A experiência histórica do Metrô de São Paulo foi deixada de lado nessa nova empreitada.
É uma pena, já que as antigas estações do Metrô, mesmo com mais de 30 anos de construção, ainda são mais inteligentes e confortáveis.
Fico muito feliz com a expansão do Metrô e a criação de novas linhas, mas seria bacana que elas mantivessem a mesma eficiência da nossa empresa estadual que é referência para o mundo.
Os novos trens funcionam sem condutores, contando com tecnologia que permite a operação através de sistema informatizado. Mas nos últimos dias foram diversas panes.
Desejo que estes transtornos não virem rotina.
Espero ao menos que as escadas e esteiras rolantes funcionem regularmente.





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Imprensa Marrom e a Tentativa de Desqualificar Doutor Sócrates



O jogador de futebol deve estar relegado a um lugar social de submissão. Ele está condenado, para sempre, a ser um personagem folclórico. Esta forma de preconceito manifesta o desejo de reproduzir para a sociedade uma hierarquia mais ampla que permearia todas as esferas da vida social.
Embora os grandes futebolistas tenham uma importância destacada na nossa sociedade, cada vez que um atleta se arrisca em expressar sua opinião sobre algum tema que supere as quatro linhas do gramado é prontamente desqualificado e muitas vezes punido pelos órgãos dirigentes do futebol.
Mesmo quando um jogador de futebol conclui sua carreira com sucesso, salvando raríssimas exceções, exige-se que ele volte a ocupar um lugar subalterno na sociedade. O ex-jogador é chamado apenas para entrevistas que relembram seus momentos de glória e é desejável que ele fale principalmente de seus episódios engraçados e pitorescos, reforçando sua imagem de ignorante e boçal.
Nem mesmo Pelé, maior jogador de todos os tempos, pode expressar tranquilamente seus pensamentos sem que seja prontamente desqualificado por um jornalista qualquer.
Boa parte destes atletas incorpora este papel desejável para a elite. Sequer se dá conta que é conveniente aos poderosos que ele enriqueça. O jogador mergulha num mundo de fantasias, contentando-se com a satisfação de seus projetos individuais e renunciando ao seu potencial de comunicação com a sociedade.
O jogador Sócrates, sempre rebelde, contrariou e segue contrariando este “lugar” desejado para os ídolos da bola. O status de doutor não foi adquirido com um simples apelido nos campos de futebol. Poderia até ser, dada sua genialidade, mas Sócrates se fez doutor através de seu mérito e de sua capacidade como homem.
Ao contrário dos milionariozinhos ruins de bola de hoje em dia, absolutamente indiferentes com a vida nacional (sequer se importam com o sentimento da torcida), Sócrates foi o grande mentor da Democracia Corinthiana que não somente transformou as práticas administrativas e hierárquicas dentro do Corinthians, mas foi um movimento que difundiu seus valores, a partir do “time do povo”, para toda a sociedade brasileira que vivia sob uma ditadura decadente, mas que ainda tentava manter-se e impedir o povo brasileiro de fazer suas escolhas.
 Sócrates foi figura muito presente nas manifestações pelas eleições diretas para presidente do Brasil e nunca escondeu sua visão política de esquerda. Tampouco se fez valer de sua condição de ídolo para injuriar seus inimigos políticos, mas manteve a coerência e foi sincero consigo mesmo defendendo sempre seus pontos de vista como socialista.
Agora, Sócrates passa pelo momento mais difícil de sua vida. Luta para recuperar sua saúde.
Mas alguns setores da imprensa mostraram claramente sua porção abutre e cercaram Sócrates para demonstrar cinicamente a sua “preocupação” com o alcoolismo do doutor.
A cada entrevista que Sócrates gentilmente concede, pede-se que ele se assuma como alcoólatra. Que ele conte para o público como foram ruins os seus anos entregues a bebida.
Esta é uma tentativa de desqualificar a biografia de Sócrates. É uma maneira de dizer que tudo o que ele disse e defendeu durante estes anos todos foram meros delírios de um bêbado.
O alcoolismo é muito mais do que um vício, é uma doença reconhecida pela organização mundial da saúde.  Como o uso de álcool afeta o comportamento do indivíduo, os dependentes, muitas vezes, não são respeitados como os portadores de outras doenças.
Mas aqueles que estudaram alguma coisa sobre o alcoolismo sabem que a droga é incapaz de modificar o caráter do indivíduo. E quanto ao caráter, Sócrates ganha de goleada da imprensa podre e sensacionalista que tem como prática tirar proveito dos dramas individuais para difundir seus valores conservadores na sociedade.
O maior desafio de Sócrates não será vencer o alcoolismo. Ele terá de enfrentar também os estigmas conferidos ao jogador de futebol aposentado e também o arquétipo desejável para os homens e mulheres que se mantém na esquerda depois da “impulsividade juvenil”.
Pois é assim que as coisas são. Aos jovens é permitido o “delírio” esquerdista. Depois de velho – porque todos deveriam envelhecer rapidamente como os recalcados – o sujeito deve tomar juízo e se assumir como conservador.
Os velhos que se mantém na esquerda, se forem inimigos diretos dos interesses da classe dominante devem ser destruídos.  Caso não disputem cargos de decisão, passam a ser tratados como ingênuos, bobos, malucos ou bêbados. Isto fica claro no caso do Doutor Sócrates.
Não é novidade que alguns bêbados enxerguem o mundo com mais clareza do que religiosos, políticos, filósofos e empresários. Mas gostaria de manifestar meu desejo de 24 horas de serenidade para um dos maiores ídolos da minha vida. Que o Doutor Sócrates recupere sua saúde e permaneça incomodando essa gente careta, estúpida e conservadora.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sempre tem um idiota.


A moça pagava a passagem do ônibus apoiada na catraca.
Entregou uma nota de vinte reais e o cobrador respondeu:
- Rapaz, não tenho troco. Espere um pouco para ver se eu consigo trocado, senão você desce sem pagar.
A moça usava fones de ouvido e logo procurou o primeiro assento livre. O cobrador olhou bem no rosto dela e falou em voz alta:
- Desculpe, pensei que tu fosses rapaz. Por isso te chamei de rapaz.
A moça ficou em silêncio. Era uma morena alta, um pouco acima do peso, sem maquiagem ou brincos. Usava uma camiseta do Iron Maiden e tinha um cabelo de roqueira. Não era uma mulher bonita, mas estava longe de ser confundida com um homem.
O cobrador insistiu. Falava mais alto e com uma expressão facial que obrigava a moça a tirar os fones de ouvido:
- Eu te chamei de rapaz, desculpe. Pensei que fosse rapaz.
A moça respondeu timidamente:
- Tudo bem.
Sentei-me ao lado dela. Por um segundo tive o impulso de dizer que ela não se parecia com um homem. Que o cobrador estava louco. Pensei até em dizer que ela era bonita, mas o prolongamento daquela conversa poderia ser mais incômodo ainda. Então fiquei em silêncio.
O cobrador insistiu pela terceira vez, e aquilo começou a me deixar puto. Estava a ponto de esculachar aquele estúpido sem noção:
- É que eu juro que pensei que você fosse homem. Pensei que fosse homem.
A moça respondeu com uma voz tímida. Um pouco melancólica, mas nada agressiva. Na verdade, ela tinha a voz bonita e muito feminina:
- Não faz mal. Isso sempre me acontece. Já estou acostumada.
Em seguida comprimiu os lábios. Olhou para a paisagem de maneira fixa. Franziu um pouco a testa. Depois fechou os olhos por alguns segundos. Agora abria os olhos e mordia levemente o lábio inferior.
Queria lhe dizer algo bom, mas sinceramente não sei o que podia fazer por ela. Sequer poderia saber se aquilo de alguma maneira a magoou ou a ofendeu. Tenho que perder definitivamente a minha fantasia infantil de onipotência. Deixar de supor que posso controlar todo o ambiente que me cerca e que algum gesto meu pode mudar o rumo das coisas.
Durante muito tempo fui assim. Quando me sento em uma mesa com algumas pessoas e percebo que uma delas está incomodada, descontente ou desconfortável, não posso simplesmente concentrar-me na minha perspectiva. Tenho que inutilmente tentar sanar aquele incômodo para finalmente poder relaxar. Comer e beber tranquilamente. Grande bobagem. Estupidez. Más lembranças. Um dia entro com mais profundidade em certos fantasmas.
Agora estava lá, hipnotizado pela moça roqueira que escolhia a próxima canção em seu play list do ipod.
Ela chegou ao seu destino. O cobrador ainda não tinha troco e orientou a moça a descer pela porta da frente.
Antes dela descer ele a chamou com um psiu:
- Desculpa aí, heim?
Ela ajustou a mochila nas costas e foi embora.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Resumo do Discurso da Presidenta Dilma na abertura da 66ª Assembléia Geral da ONU


Há mais ou menos um ano, circulava pela internet um boato de que caso eleita, Dilma Roussef seria impedida de entrar nos EUA, por ter sido terrorista no passado.
Isto porque Dilma arriscou sua vida e foi torturada lutando contra a ditadura militar no Brasil.
Este foi apenas um dos tantos boatos que visavam desestabilizar a imagem da então candidata e difundir a idéia de que seria uma temeridade para o Brasil a eleição de Dilma.
Pois bem, a presidenta Dilma Roussef acaba de discursar na abertura da 66ª Assembléia Geral da ONU, na condição de primeira mulher a alcançar este feito.
E deu orgulho o discurso impecável da presidenta. Vamos aos principais pontos do discurso:
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL
Dilma afirmou que o agravamento da crise econômica pode levar a conseqüências terríveis com desequilíbrio político e social nos países mais afetados pela recessão econômica.
Portanto, antes de solucionar a crise econômica, os países ricos devem dar conta das questões políticas que impedem a adoção de ações eficazes para recuperação econômica.
Não é suficiente o ajuste fiscal, com corte de gastos e investimentos, sem o estímulo ao emprego, renda e crescimento econômico.
A presidenta disse que não basta atacar os efeitos da crise sem que se enfrentem as verdadeiras causas. Dilma falou em transformações drásticas e ruptura do modelo econômico das últimas décadas.  Não é preciso muito esforço para entender que o mundo presencia a agonia do modelo neoliberal. O desemprego, para a presidenta, é uma chaga que condena milhões de pessoas pelo mundo à infelicidade e à violência.
PAPEL DOS EMERGENTES
Se inicialmente alguns analistas mais afoitos tentaram antecipar transformações na política externa brasileira após a saída de Lula e a chegada de Dilma, caíram do cavalo.
O Brasil continua se postulando como representante do “baixo clero” dos países em desenvolvimento e alijados do processo decisório global.
A crise econômica exige um reposicionamento destes países nos órgãos políticos e econômicos internacionais.
A presidenta disse que se as conseqüências da crise são sensíveis em todo o mundo, nada mais justo se os países emergentes, que passam a adquirir papel econômico fundamental na economia global, tenham também maior participação nas decisões.
PALESTINA
A presidenta Dilma disse que o Brasil defende e reconhece o Estado Palestino. Lamentou que até o momento eles não estivessem representados na Organização das Nações Unidas.
Foi uma posição importante e corajosa do Brasil em trazer esta questão logo no discurso de abertura da Assembléia Geral.
Dilma ressaltou que no Brasil, judeus e árabes vivem em paz como compatriotas.
CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU
Sobre a celeuma que envolvia o apoio brasileiro ao Estado oficial da Líbia, Dilma destacou que a posição brasileira é de ser contrária a intervenção militar, exceto em casos extremos.
Portanto, o Conselho de Segurança da ONU deve ser fortalecido.
A presidenta afirmou que há dezoito anos o Conselho de Segurança espera por reformas e que ele deve prever uma representação que reflita a geopolítica internacional atual.
O Brasil permanece como candidato a uma vaga definitiva no Conselho de Segurança da ONU. A presidenta destacou que o Brasil vive em paz com seus países vizinhos há mais de 140 anos e que vem cumprindo internacionalmente papel importante de colaboração no desenvolvimento econômico e segurança alimentar. Reforçou também o papel que o Brasil vem assumindo no Haiti, liderando a missão da ONU naquele país.
Dilma falou que nos últimos anos o Brasil incluiu 40 milhões de pessoas na classe média  e que até o fim de seu governo, em 2014 deseja acabar definitivamente com a pobreza extrema.

Não há dúvidas que o Brasil nos últimos anos se reposicionou na geopolítica internacional. O corajoso discurso da presidenta Dilma nos mostra que a política externa brasileira depende menos do carisma do ex-presidente Lula – como alguns críticos afirmavam – e mais por um posicionamento político progressista e atento às transformações na comunidade internacional, conferindo ao nosso país uma liderança cada vez mais destacada.
Esta liderança brasileira não é sedimentada com a exploração econômica ou a ocupação militar, o que nos dá um acréscimo de esperança (ainda que ingênua) no futuro da comunidade internacional, em especial neste país iluminado ao sol do novo mundo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pane no novo sistema de recargas do Bilhete Único. Esclarecimentos do Metrô

Os usuários de ônibus e Metrô já se habituaram às longas filas para recarga do Bilhete Único.
Desde o início da gestão Kassab, os passageiros não podem validar seus bilhetes nas catracas dos ônibus, ainda que em todos eles haja um cobrador, muitas vezes sem função alguma durante a viagem.
A proibição da recarga do Bilhete na catraca é uma crueldade com o usuário que tem de enfrentar longas filas para recarga.
Alguns passageiros, muitas vezes, não têm dinheiro para fazer uma recarga de valores altos. Dispõe apenas dos três reais para fazer a viagem, não sendo necessária a permanência na fila das lotéricas e postos autorizados.
Se não bastasse o valor escorchante do transporte público em São Paulo, se comparado à sua qualidade defasada e superada, o trabalhador ainda tem de enfrentar constrangimentos e a falta de sensibilidade do melindroso chefe do executivo municipal.
Nos últimos dias, foram colocados em algumas estações do Metrô, máquinas de recarga automática de Bilhete Único.
Mas para desgosto do usuário estas máquinas simplesmente não funcionam.
No dia 14 de setembro (quarta-feira) percorri as estações Clínicas, Ana Rosa, Santos-Imigrantes e Tucuruvi. Em nenhuma delas o equipamento funcionava.
A máquina tem anotado um número de telefone para reclamações.
Ao telefonar para o número, fui atendido pela empresa Serviços Digitais. A empresa não tem assessoria de imprensa e sequer um site operante http://www.servicosdigitais.com.br/. Não havia nenhum funcionário em condições de esclarecer sobre as falhas no sistema e a atendente disse que poderia apenas registrar minha reclamação.
Nunca a questão da mobilidade urbana esteve tão em foco como nos dias de hoje. Parece que enfim chegamos ao consenso de que um transporte público de qualidade é a única saída para superarmos o caos no trânsito de São Paulo. Este tema esteve negligenciado durante décadas e a população espera ansiosamente a expansão de linhas e estações do Metrô.
Como convencer o cidadão de São Paulo a deixar o carro em casa e sair de ônibus e metrô se o sistema não consegue dar conta de situações que deveriam ser primordiais?
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Enviei algumas perguntas para o Metrô. Seu departamento de imprensa muito gentilmente respondeu as questões levantadas com rapidez.
Segue a breve entrevista:
Blog - Muitos usuários têm enviado reclamações sobre o novo sistema de recarga do Bilhete Único. Ontem percorri algumas estações: Clínicas, Santos-Imigrantes, Ana Rosa e Tucuruvi. No espaço de tempo das 18h até as 22h nenhuma das estações tinha sistema operante. Aliás, no Tucuruvi sequer o posto de atendimento (cabine com funcionário) tinha sistema operante. Na estação Clínicas durante toda a semana o equipamento de recarga está danificado. Existe alguma previsão para que o serviço funcione regularmente?
R: Sim. O Metrô esclarece que o processo de transição dos sistemas de recarga está em curso nas suas estações, cujo prazo para total implantação se estenderá até o final de setembro. O Metrô está tomando todas as providências junto às empresas contratadas para sanar as falhas pontuais o mais rápido possível. Ajustes ainda serão feitos com a finalidade de aprimorar o desempenho dos equipamentos nesses primeiros dias de transição.
Blog - Os novos pontos de atendimento substituirão os existentes hoje, com funcionários contratados pela empresa prestadora?
R: Nas 62 estações do sistema metroviário, haverá aumento dos postos assistidos (com atendentes) de carga e recarga do Bilhete Único (de 70 para 80), das máquinas de atendimento automático (de 23 para 182) e dos equipamentos de recarga automática de Vale-Transporte e consulta de saldos (de 254 para 353). Com a mudança, o número de empresas responsáveis por esses serviços passa de um para quatro. Isso permitirá a ampliação dos canais de acesso para carga e recarga dos cartões de Bilhete Único, garantindo a melhoria da qualidade do serviço, com a redução de filas.
Blog - O Bilhete Único permite a utilização do sistema de Metrô, mas também dos ônibus do município de São Paulo. A empresa Serviços Digitais, que ainda não tem site operante (http://www.servicosdigitais.com.br/) presta atendimento nas estações do metrô. Ela é contratada pela prefeitura municipal, pelo Metrô ou para outra instituição?
R: A empresa citada é uma das quatro já contratadas. As outras três são: Perto, Ponto Certo e Prodata.