segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rita Lee e o Brasil que sente saudades da ditadura...





O Brasil está farto da truculência e do autoritarismo.

A geração de Rita Lee (a mesma dos meus pais) foi obrigada a conviver com a repressão nas ruas e nas universidades.

Estávamos sobre intervenção de uma ditadura que tinha o propósito de manter o Brasil “sobre controle” nos anos de Guerra Fria.

O ideal transformador da juventude dos anos 60 e 70 rompeu em poucos anos com estruturas seculares de dominação.

Mas permanece o estranho apego da gente brasileira pelo autoritarismo.

Não é para menos, nossa memória histórica é de violência autoritária. Das coisas serem resolvidas de cima para baixo na base da força.

Mas este não é mais o país dos coronéis.

Minha geração, agora se acostuma a viver dentro de uma cultura de democracia e cidadania.

Onde a ordem não pode impor sobre os costumes e o desejo de seu povo.

 A recente mobilidade social tem causado ebulições país afora. O Brasil ainda tem um apego carnal com a desigualdade.

Se por um lado olhamos para o futuro com um acréscimo de otimismo e de esperança de enfim construirmos uma grande nação.

Por outro vemos a já indiscreta nostalgia da ditadura, por parte de alguns setores inconformados com a posição de superioridade que já não podem mais ocupar.

O respeito pelas liberdades e direitos individuais ainda causam repulsa e o efeito cotidiano é a violência histérica por parte de alguns policiais que acreditavam ser investidos de alguma autoridade, mas se frustram com uma nova realidade que exige mais liderança e inteligência do que a truculência estúpida.

A síndrome do poder temporário é uma epidemia.

Esta síndrome ataca principalmente uma parcela de oficiais fardados, mas também pode se hospedar em “seguranças” de terno.

Quem nunca viu um “segurança” agredindo desnecessariamente uma pessoa desarmada? As casas noturnas fazem ofertas e promoções pra encher a cabeça da molecada de cachaça. Lucra horrores e depois colocam brucutus acéfalos para encher a rapaziada de porrada.

Ai que saudades da ditadura que essa gente tem.

A ditadura e o coronelismo agonizam e expiram nos seus últimos e violentos suspiros.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os Comunistas - Pablo Neruda

A poesia de Neruda permanece atual.

Quando os olhares e atenções se voltam para as discussões de terra e moradia, os setores conservadores se unificam.

De um lado ficam os legalistas, homens e mulheres de família, as meninas virgens, os religiosos, os razoáveis, os diferenciados, os moralistas, os empresários, os homens de bem, os trabalhadores dedicados, o tea party, os defensores da ordem, os banqueiros, os sertanejos universitários, os forrozeiros universitários, a associação comercial, as sociedades secretas, todos!

Do outro lado, são todos comunistas.

Sim, porque discutir justiça social e distribuição de renda neste país ainda é coisa de comunista.

Pouco importa que nos países “civilizados”, referência maior dos que acidentalmente nasceram em terras brasileiras, a classe média corresponda a mais de 90% da população.

Dedico este lindo poema de Neruda para todos aqueles, comunistas ou não, que por desejarem viver em um país mais justo e solidário foram acusados e colocados na fogueira inquisitória dos comunistas.



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Os comunistas

Pablo Neruda


Passaram-se alguns anos desde que ingressei no Partido


Estou contente
Os comunistas formam uma boa família
Têm a pele curtida e o coração moderado
Por toda parte recebem cassetetes
Cassetetes exclusivos para eles
Vivam os espíritas, os monarquistas, os anormais, os criminosos de todas as espécies
Viva a filosofia com muita fumaça e pouco fogo
Viva o cão que ladra mais não morde, vivam os astrólogos libidinosos, viva a pornografia, viva o
cinismo, viva o camarão, viva todo mundo, menos os comunistas
Vivam os cintos de castidade, viam os conservadores que não lavam o pé a quinhentos anos
Vivam os piolhos das populações de miseráveis, viva a fossa comum e gratuita, viva o anarcocapitalismo,
viva Rilke, viva André Guide com seu corydonzinho, viva qualquer misticismo
Esta tudo bem
Todos são heróicos
Todos os jornais devem sair
Todos devem ser publicados, menos os comunistas
Todos os candidatos devem entrar em São Domingos sem algemas
Todos devem celebrar a morte do sanguinário de Trujillo, menos os que mais duramente o
combateram
Viva o Carnaval, os últimos dias de carnaval
Há disfarces para todos
Disfarces de idealistas cristãos, disfarces de extrema esquerda, disfarces de damas beneficentes e
de matronas caritativas
Mas cuidado: Não deixem entrar os comunistas
Fechem bem a porta
Não se enganem
Eles não têm direito a nada
Preocupemos-nos com o subjetivo, com a essência do homem, com a essência da essência
Assim estaremos todos contentes
Temos liberdade
Que grande coisa é a liberdade!
Eles não a respeitam,
Não a conhecem
A liberdade para se preocupar com a essência
Com a essência da essência
Assim tem passados os últimos anos
Passou o Jazz,
Chegou o Soul, naufragamos nos postulados da pintura abstrata, a guerra nos abalou e nos matou
Tudo ficava como está
Ou não ficava?
Depois de tantos discursos sobre o espírito e de tantas pauladas na cabeça, alguma coisa ia mal
Muito mal
Os cálculos tinham falhado
Os povos se organizavam
Continuavam as guerrilhas e as greves
Cuba e Chile se tornavam independentes
Muitos homens e mulheres cantavam a Internacional
Que estranho
Que desanimador
Agora cantam-na em chinês, em búlgaro, em espanhol da América
É preciso tomar medidas urgentes
É preciso bani-lo
É preciso falar mais do espírito
Exaltar mais o mundo livre
É preciso dar mais pauladas e o medo de Germán Arciniegas
E agora Cuba
Em nosso próprio hemisfério, na metade de nossa maça, esses barbudos com a mesma canção
E para que nos serve Cristo?
Para que servem os padres?
Já não se pode confiar em ninguém
Nem mesmo os padres. Não vêem nosso ponto de vista
Não vêem como baixam nossas ações na bolsa
Enquanto isso sobem os homens pelo sistema solar
Deixam pegadas de sapatos na lua
Tudo luta por mudanças, menos os velhos sistemas
A vida dos velhos sistemas nasceu de imensas teias de aranhas medievais
No entanto, há gente que acredita numa mudança, que tem posto em prática a mudança, que tem
feito triunfar a mudança, que tem feito florescer a mudança
Caramba!
A primavera é inexorável!



Entre Aspas, desde que as aspas sejam da Globo

Direto do Blog do Nassif
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Mônica Waldvogel põe jornalismo "entre aspas"
Enviado por luisnassif, sex, 27/01/2012 - 14:55



Por Weden

Mônica Waldvogel passou por um dos momentos mais constrangedores na história da GoboNews. Pautada para defender as ações da PM paulista, da Prefeitura de São José dos Campos e do Governo Alckimin no caso do massacre de Pinheirinho, por várias vezes, ela passou por cima dos entrevistados e tentou impor o ponto de vista da casa.



A própria chamada do programa já mostrava a tendência imposta pelos editores da GloboNews: "Interesse eleitoral pode comprometer ações sociais (referência à Cracolândia) e da Justiça (referência a Pinheirinho)".

Ou seja, a disposição já era de dizer que as ações eram corretas e as críticas, eleitoreiras. O vídeo de abertura do programa insistiu nesta tecla, mas Mônica, por conta própria, foi ainda além.

Chamou a ação de expulsão dos moradores de "republicana", disse que as críticas todas têm fundo eleitoral, afirmou que os moradores só reagiram por terem sido motivados por líderes partidários, e chegou a criar um falso dilema: "o governo deveria desrespeitar ou cumprir a lei?"

Para piorar, ao referir-se ao tema conexo da Cracolândia, comparou os dependentes (que ela chama de viciados) aos traficantes do Rio de Janeiro.

Mônica não aceitou qualquer dos argumentos dos entrevistados, passou por cima da palavra daqueles que deveriam ser ouvidos, duvidou dos analistas, atribuindo, indiretamente, as posições deles a interesses eleitorais, e ofereceu um exemplo grave do que não deve fazer o jornalista: impor seu ponto de vista, a todo custo, a entrevistados, ainda mais num programa que tem como título uma alusão ao direito de opinião.

Tensa, mostrou dificuldade em articular suas indagações e questionamentos, gaguejou mais do que de costume, e ainda fez intervenções esdrúxulas, com problemas de sintaxe, e escolhas semânticas infelizes.

Aqui o ligação do programa, com o vexame de Mônica e a atuação digna e independente dos do8is entrevistados: Humberto Dantas, cientista político do Insper, e Aldo Fornazieri, sociólogo da Fesp.

Uma dica importante para Mônica Waldvogel, que ainda tem nome a zelar no jornalismo: deixa os editores fazerem o que quiserem; mas deixa os entrevistados contribuírem com seus pontos de vista. Seu papel no programa é mais simples do que parece.

http://g1.globo.com/videos/globo-news/entre-aspas/t/todos-os-videos/v/interesse-eleitoral-pode-comprometer-acoes-sociais-e-da-justica/1786273/

Por Sergio Saraiva

A Globo não respeita ninguém.É constrangedor ver uma grife como Monica Waldvogel cumprir pauta burra.

Durante as agressões na USP ela entrevistou dois professores, um aliás reitor da UNICAMP defendia a ação, porém não se espera que professores chamem alunos de maconheiros vagabundos.

Como os professores não os chamavam assim, a própria Mônica passou a chamar. Era o que estava previsto na pauta e devia ser cumprido.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Assim caminha a humanidade...

Até o final do sec XIX, os abolicionistas eram vistos como subversivos.
 
Hoje, embora continuemos vivendo em um pais racista, não existe mais ambiente para manifestações públicas de preconceito. Quando elas ocorrem, provocam imediata reação social.
 
Na primeira guerra do Golfo em 1991, muita gente dizia: "Isso mesmo, tem que bombardear o Iraque, os EUA estão defendendo o mundo livre".
 
Já em 2003, os EUA ficaram quase isolados nos órgãos internacionais, o que desencadeou numa crise de sua hegemonia.
 
Durante anos vi algumas desocupações violentas da polícia, mas agora percebo uma mobilização muito grande da sociedade contra o que ocorreu no Pinheirinho.
 
Estou certo que Alckmin terá um sério prejuizo eleitoral. Talvez já nas eleições municipais.
 
Prefiro acreditar que as coisas estão mudando para melhor.
 
Não dá para imaginar uma economia maior do que a da Inglaterra com tamanha miséria espalhada.
 
Entendo que dentro em breve este país tão desigual perceberá a importância de uma melhor distribuição de renda.
 
E se não for no jeitinho, vai ser na porrada mesmo.
 
Só que tem uma coisa: Sempre haverá ESCROTOS entre nós!
 
Em qualquer tempo na história!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O PSDB não gosta de pobre! E não há esforço de marketing que de jeito...



Nas últimas eleições presidenciais a aliança PSDB-DEM sofreu sua terceira derrota seguida.

Em 2010, a presidenta Dilma era quase desconhecida do eleitorado brasileiro. Mesmo assim, o governador de São Paulo e político já consagrado Jose Serra foi derrotado de maneira retumbante.

Não apenas o candidato Serra foi derrotado, mas principalmente o legado tucano, dos oito anos de FHC.

A população rejeitou as políticas neoliberais, tais como privatizações, desregulação dos direitos trabalhistas e sociais e ausência do Estado na economia, com conseqüente desemprego avassalador.

E não é exagero dizer que o eleitorado, além de ter votado majoritariamente em Dilma (e em Lula), também votou contra este “legado FHC”.

A campanha de Dilma, a todo o momento, lembrou a população sobre os índices econômicos e sociais da época tucana e fez uma comparação com o desempenho de Lula.

Já o PSDB, ao invés de defender o seu projeto político, optou por fazer um esforço gigantesco para incorporar o discurso de desenvolvimento.

Na propaganda, o Serra virou Zé e até a imagem do Lula foi utilizada.

O mesmo já havia ocorrido em 2006, quando Geraldo Alckmin disputou a presidência contra Lula.

O PSDB tentou negar as privatizações, negar o desemprego e negar a submissão ao mercado externo.

O efeito mais imediato da derrota eleitoral foi uma defecção na base política da oposição. Gilberto Kassab, afilhado político de Serra, organizou uma debandada, construindo um partido que pudesse articular uma aliança com o lulismo e garantir a sobrevivência de uma manada de políticos fisiologistas.

Agora, o PSDB procura:

1)      Entender devidamente as últimas derrotas eleitorais

2)      Alavancar uma candidatura presidencial, sendo necessário para isso, competir com o lulismo, disputando espaço nas camadas mais pobres da sociedade para ao menos sonhar com um sucesso em 2014.

No entanto, o PSDB tem sido infeliz nas suas duas missões primordiais.

Primeiro por não conseguir entender a derrota.

O PSDB, verdadeiramente, acredita que o apoio político de Lula nas classes pobres se deve ao programa Bolsa Família. Narcisistas notórios, os tucanos só conseguem enxergar a realidade segundo sua semelhança, e entendem que o vínculo clientelista da Bolsa Família seria suficiente para fidelizar um eleitorado que teria sido comprado por alguns reais mensais.

Não leva em conta a impressionante identidade política de Lula com o eleitorado mais pobre e o entendimento de que a sensibilidade social do ex-presidente ofereceria uma segurança maior do que os “velhos” políticos que historicamente viraram as costas para suas necessidades.

Subestimar o voto das pessoas mais simples é um erro, porque os eleitores de todos os extratos sociais votam segundo seus interesses diretos.

Ora, a classe média não vota por conta de uma estrada ou um viaduto? Ou mesmo quando pode viajar para o exterior? Já a elite, vota pela garantia da manutenção das regras e preservação do status quo. Não é isso? Então, porque a demanda nos mais pobres são menos legítimas do que a dos ricos?

Já a segunda missão do PSDB, de alavancar uma candidatura capaz de rivalizar com o petismo, sobretudo neste eleitorado mais pobre (e mais populoso), também vai “de vento em proa”.

Aparentemente, a outorga por parte do PSDB para a velha mídia defender o seu projeto político, não tem garantido sucesso eleitoral.

Tampouco, os chefes locais – antigos coronéis – têm conseguido cooptar o seu antigo rebanho, que aprendeu a votar segundo seus interesses.

Como, então, o PSDB poderia demonstrar ser agora um partido adequado para defender os interesses da população mais pobre e a nova classe média, novos protagonistas do “mercado eleitoral”?


Será que os tucanos conseguirão vender a imagem de que são sensíveis às causas dos mais fracos economicamente?

O PSDB governa os dois maiores estados da nação.

Deveria, portanto, implementar modelos de gestão que pudesse atender ao eleitorado de baixa renda e mais dependente da intervenção do Estado.

Mas ao contrário disso, a marca de “partido dos ricos” tende a ficar mais impregnada ainda nas asas tucanas.

A desocupação do Bairro Pinheirinho em São José dos Campos, em favor da massa falida do mega-fraudador Naji Nahas, despejando milhares de famílias de trabalhadores das suas casas, foi uma demonstração clara de desprezo do governo do estado e violência truculenta, justamente contra aqueles que precisariam de assistência e remediação do Estado.

Na capital paulista, cada incêndio inesperado nas favelas é comemorado com um novo lançamento imobiliário. O transporte público retrocedeu e encareceu. A gestão de Kassab é muito boa em proibir e deixou a cidade de São Paulo, cada vez mais cara, fria e distante de seus cidadãos.

Além de tudo, falta para a aliança liderada pelo PSDB vocação e disposição política para governar com a participação popular. Os quadros políticos do partido estão à milhas distantes das comunidades. Ouvir o que a população tem a dizer sobre gestão pública é tarefa impossível para os tucanos tão afeitos à erudição.

Imaginar que a população de baixa renda não entenda nada de política e não vá cobrar a fatura eleitoral desta violência imperdoável no Pinheirinho é um engano lastimável.

O PSDB rotula cada vez mais sua imagem como o “partido dos ricos”.

E não há publicidade que dê jeito!




domingo, 22 de janeiro de 2012

E Pobres são como Podres! Ave Cavaleiro Templário da Opus Dei de Pindamonhangaba!



O Estado de São Paulo acordou mais seguro neste domingo.
Sua classe média despertou tranqüila e bem humorada aos saber que seu governador conclamou a Polícia Militar a desocupar o bairro do Pinheirinho em São José dos Campos.
Enquanto tomava seu café da manhã dominical, o establishment paulista ficou satisfeito ao ver os “favelados” saindo de suas casas com a roupa do corpo e o documento de identidade em mãos.
Devidamente humilhados, como devem ficar os criminosos invasores.
Por falar em criminosos, as terras ocupadas são da massa falida do mega fraudador da Bolsa de Valores Naji Nahas. Um emérito cavalheiro da sociedade paulista.
Naji Nahas, Daniel Dantas, e Sociedade Anônima são os heróis do neoliberalismo brasileiro. Estes visionários têm relações fluidas e carnais com a elite política paulista. Não poderiam deixar de ser redimidos pelo cavaleiro templário da Opus Dei de Pindamonhangaba.
E pobre não é gente. São simplesmente pobres. São preguiçosos, vagabundos, passam o tempo todo fazendo filhos indiscriminadamente e o pior: recebem assistência do governo.
A tradicional família paulista se revolta ao saber que o dinheiro de seus impostos é transferido para o pagamento da Bolsa Família. Mas eles parecem não se incomodar ao ver o Estado socorrer os bancos e pagar oceanos de dinheiros aos especuladores.
O grosso dos impostos arrancados da classe média vai para o custeio da farra especulativa por meio do pagamento dos juros da dívida brasileira.
O dinheiro que sobra dos impostos é tragado pelos bancos brasileiros que cobram os maiores juros e taxas do planeta.  Nossa classe média não sai do cheque especial.
Mas estranhamente (na verdade é passível de explicação), a classe média incorpora a ideologia política das elites que se alimentam de sua energia vital. Na prática, a classe média paulista defende e protege os seus próprios carrascos.
Mas voltemos aos pobres, porque estes sim são os culpados pelas mazelas nacionais.
Os movimentos por terra e moradia são criminalizados. Desde os primórdios, até hoje em dia, é pecado falar em reforma agrária e distribuição de renda.
Fazem-se campanhas pela paz, pela preservação do meio ambiente, pelo direito dos animais, pela pena de morte, pela honestidade, mas é proibido falar em distribuição de renda.
Como se todas as outras questões não estivessem relacionadas à maneira como o indivíduo se insere na sociedade.

Desocupem o Pinheirinho!
Os pobres que carreguem suas tranqueiras comparadas com o sacrifício de suas vidas para outro canto.
As crianças que levem seus presentinhos da natal para debaixo da ponte.
Deixem que os pobres se equilibrem nas encostas dos morros, nas áreas de manancial, nas áreas de risco.
Logo mais morrerão em algum deslizamento.
Aí a nossa sociedade satisfeita e hipócrita fará campanhas para arrecadar donativos.
O Fantástico fará matérias especiais colocando no ar alguma criança chorando a morte de seus pais soterrados.
O repórter aparentará desterro e deixará escapar algumas lágrimas durante a transmissão.
Apresentadores de auditório demonstrarão interesse e colocarão a culpa nas autoridades.
Pois no final das contas, a culpa será somente da classe política, uma espécie de “boi de piranha” de toda a vagabundagem, crueldade, covardia e cretinice da nossa sociedade.
Neste sentido, os políticos são muito úteis. Eles são o retrato da nossa sociedade. Enquanto eles são os culpados, nossas famílias podem dormir tranqüilas, fingindo que não tem nada com a história.
Estamos às vésperas do aniversário da capital do estado de São Paulo.
Amo esta cidade porque ela é uma extensão de mim mesmo, ou talvez eu seja também uma microscópica extensão de São Paulo.
Por isso mesmo, me causa repulsa saber que faço parte desta degradação generalizada.
Todo mundo preocupado e satisfeito com seus projetos individuais e olhando para o futuro.
Mas atormentados com a memória de pobreza.
As pessoas pensam assim: “Eu era pobre, fiz a lição de casa direitinho e olha como estou agora”.
Sentem ódio do passado.
Por isso sentem tanto desprezo pelos que ainda são pobres.
É preciso eliminá-los urgentemente.
Pobre São Paulo!




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eleição da Camisa Grená como a mais bonita do mundo deixam expostas as marmeladas de edição do UOL (Folha) e o Anticorinthianismo Ressentido



A camisa grená do Corinthians foi eleita em um concurso na Inglaterra como a mais bonita do mundo, desbancando concorrentes de peso.

A homenagem que tem efeito de uma conquista simbólica poderia ter recebido tratamento gentil e reverente.

No entanto, um evento simples como este, nos mostra mais uma vez o inconformismo do Anticorinthianismo Ressentido.

Mais do que isso deixa claros os recursos perniciosos das redações da velha imprensa brasileira.

A manchete do site UOL (Folha de São Paulo) vem com a seguinte chamada


DO UOL, em São Paulo



Ao invés de render as devidas homenagens à terceira camisa do Corinthians – que por sinal nem foi tão bem recebida pelos corinthianos mais conservadores – o site prefere destacar uma possível “trapaça” do Corinthians para vencer o concurso.

Só no corpo da notícia, a matéria explica que foi diagnosticado um movimento de torcedores que gostariam de ver a camisa grená eleita. Isto porque o site inglês Subside Sports, identificou um grande número de votos de IP originários do Brasil.

Não sei se este fato seria suficiente para impugnar tais votos.

Mesmo assim, o Subside Sports excluiu os votos brasileiros.

Contudo, a camiseta corinthiana venceu o concurso.

É impressionante o inconformismo dos adversários com qualquer conquista corinthiana, por menor que ela seja.

O desrespeito com nossas conquistas e vitórias, e até mesmo o preconceito social com o novo estádio em Itaquera só vem a homogeneizar ainda mais nossa torcida e edificar os elementos da nossa identidade. Exige que sejamos autônomos e valorizemos as nossas expressões mais genuínas.

E o corinthiano deve estar atento aos truques de edição da grande mídia.

Não somente na hora de torcer, mas principalmente na hora de votar e decidir sobre o futuro.

Não dá pra acreditar sempre nas manchetes dos jornais, não é?

Nem nas páginas de esporte.

Nem no caderno de política.