sexta-feira, 14 de junho de 2013

O PT não deveria "vestir a carapuça" dos protestos em SP. Deveria celebrar esta molecada tão esperta!



O Brasil continua conservador.

Permanece ambicionando se modernizar sem romper com as velhas hierarquias e contratos sociais.

O desenvolvimento econômico continua sendo uma obsessão nacional. Uma das poucas bandeiras que converge direita e esquerda, conservadores e progressistas.

Mas não se pode negar que nos últimos anos o Brasil acumulou uma série de transformações sensíveis, capazes de provocar fissuras e abalos.

Enfim, com séculos de atraso, a diminuição das desigualdades sociais se tornou mais do que um discurso dos movimentos sociais, mas um estandarte do Governo Federal.

Embora as políticas públicas de combate à miséria extrema tenham sido ainda insuficientes para garantir vida digna a todos os cidadãos brasileiros, e que tais avanços venham acompanhados da manutenção dos grandes acordos com as elites, esta década em que o governo finalmente reconheceu sua dívida com os pobres deste país, provocou mudanças definitivas na estrutura.

O ressentimento social e político de alguns setores da sociedade, com declarações preconceituosas e violentas polui o debate e impede uma discussão séria sobre os programas de transferência de renda.

Mas o que isso tem a ver com os recentes protestos?

O Governo Lula de fato transformou a sociedade brasileira.

O esforço de recuperação da atividade econômica, com aumento do salário mínimo, superação do desemprego crônico da década passada e inserção de milhões de brasileiros no mercado de consumo, não pôde ser feito sem resistência.

 Até mesmo a escolha política do atual governo de superar a crise mundial (a partir de 2008) “forçando a marcha” da economia brasileira, suprindo a retração da demanda privada, garantindo o poder de compra do trabalhador e apostando forte no mercado interno, não foi devidamente reconhecida nos diferentes setores da sociedade. Ora, é óbvio que houve significativo aumento nos gastos públicos, e que o governo tomou medidas econômicas nem sempre articuladas entre si, para estimular setores econômicos com maior retração. Claro que existem efeitos colaterais, ataques especulativos e um sensível aumento dos preços. Mas foi uma escolha política para que a população brasileira não pagasse os pecados da crise neoliberal dos países do centro.

Mas o que isso tem a ver com os recentes protestos aqui em São Paulo?

Se os governos de Lula e Dilma foram muito felizes na inclusão social, por outro lado, este processo não veio acompanhado da politização da sociedade brasileira. Ao contrário do que se podia imaginar anteriormente, o atual governo “despolitizou” a sociedade.

O acesso à cidadania se deu concomitantemente com o acesso ao mercado de consumo.

Não que isso seja de todo errado, mas tal processo veio acompanhado de uma cruzada de conciliação política, concessões gigantescas com as elites e um pavor terrível do potencial de conspiração da grande mídia.

Tudo começou com a Regina Duarte durante a campanha de 2002, dizendo que “sentia medo do Lula no poder”.

Fez-se um esforço hercúleo para provar aos setores mais conservadores que o Governo Lula não era uma filial do Chavismo no Brasil.

Pesa também o fato de que Lula percebeu com imensa habilidade que a classe “subproletária” brasileira tradicionalmente é conservadora. Mas isso é tema para um próximo debate.

O fato é que fomos todos convertidos em consumidores. E nunca estivemos tão despolitizados.

Talvez seja este o grande pecado do lulismo.

Mas o que isso tudo tem a ver com os protestos?

O PT (ou boa parte de seus dirigentes e militantes) não deveria ter vestido a carapuça dos protestos ocorridos aqui em São Paulo.

Tão logo os efeitos econômicos dos programas sociais surtiram resultados políticos, emergiu como uma chaga todo tipo de preconceito, ódio e ressentimento social da camada mais reacionária da sociedade, manifestando sem pudor nenhum, sua bronca contra os pobres e a quebra das velhas hierarquias.

Como o discurso vazio e preconceituoso depende menos da coerência do que a crítica séria e embasada, isso foi a primeira coisa que subiu à superfície tal qual fezes na água.
É verdade que as manifestações preconceituosas e xenofóbicas da extrema direita se espalharam pelo mundo, fruto da crise do pensamento conservador afetado decisivamente pela degeneração do neoliberalismo.

Mas no Brasil a coisa ficou triste. Não foram poucas as pessoas que clamam por um golpe e declaram nostalgia da Ditadura Militar como uma saída para a carência de representação política.

Esta crise de representação política se dá principalmente na classe média que ficou espremida entre os grandes acordos com as elites e o ambicionado mercado eleitoral das classes pobres.

O ambiente político estava ficando pesado. Por um lado, o governo defendendo suas conquistas sociais. Do outro, o discurso golpista e ressentido.

Sendo assim, os protestos espalhados pelo Brasil em defesa do transporte público foram uma novidade mais que excelente.  A luta pelo transporte público é também a luta contra a exclusão social e o Apartheid maquiada nas grandes cidades brasileiras. É um desafogo que isola ainda mais a direita vil.

Quando em 2003 o PT chegou ao Palácio do Planalto, boa parte das políticas macroeconômicas dos anos FHC foi mantida. Não sem resistência dos setores mais progressivas que aguardavam ansiosamente mudanças estruturais.

Mas de alguma forma todo mundo entendeu o que se passava. Seria preciso manter o “contrato” com a elite financeira para reunir condições políticas para as transformações que viriam em seguida.

Depois da crise de 2005, com o episódio do Mensalão. O governo precisou ampliar o seu leque de alianças para garantir a chamada governabilidade. Desembarcaram os velhos caciques liderados pelo ex-presidente José Sarney e por Renan Calheiros. O PT entendeu como o jogo estava sendo jogado e percebeu que precisava sim compartilhar espaço e enxergar inclusive virtudes em políticos antes inimagináveis, como outro ex-presidente Fernando Collor de Melo.

Para eleição de Dilma a direita ficou esmagada e sem agenda, apelando para o obscurantismo e preconceito. Embalada pela aprovação impressionante de Lula, a aliança se converteu em hegemonia política, liderada pelo PT, mas com uma frente de partidos que dividem espaço no governo.

Para eleger Haddad, o PT teve de convencer sua militância de que seria sim necessário ganhar o apoio de Paulo Maluf e quebrar resistência nos setores mais conservadores da sociedade paulistana.

Ora, o PT aprendeu tão bem que para governar é preciso dialogar com as diferentes forças políticas e que para avançar nas transformações que pretende para o Brasil é preciso garantir as condições políticas necessárias. Por que então não pode atender às justas manifestações dessa molecada esperta que tem enfrentado a truculência dos capangas da elite carcomida e atrasada de São Paulo?

Por que não aproveitar este potencial  transformador para avançar na ampliação das grandes reformas que carecem de condições políticas favoráveis?

Por que o Haddad, ao invés de “achar que é com ele”, não absorve as aspirações deste movimento e cria as condições para fazer uma revolução no transporte público de São Paulo, que passa naturalmente na reversão de certas “prioridades” da última gestão.

Por que não aproveitar a energia dessa molecada e mobilizar a sociedade para a necessidade de uma transformação drástica na educação municipal, já que o temor das políticas de longo prazo sempre foi a ausência de resultados políticos?

Os editoriais dos jornais denunciam e acusam o movimento de querer mais do que os 0,20 centavos na tarifa de ônibus, almejando outros bônus políticos.

Que coisa, heim? Demorou pra entender! Perdeu Playboy!

É lógico que quem está saindo às ruas quer muito mais do que 0,20 na passagem do busão.
Os protestos são contra uma cidade injusta e excludente, onde impera a ganância e a especulação.  Uma cidade onde quem tem grana pode tudo e quem não tem vive esmagado sem acesso ao eldorado que um dia foi chamado de “terra das oportunidades”.

Os protestos são também resposta à elite fétida que teme a chegada de GENTE DIFERENCIADA através do transporte público em suas ilhas de prosperidade.
São Paulo é uma cidade absurdamente cara, onde quem pode mais chora menos.
E pior. Há quem goste de pagar caro! Nas lojas, nos shoppings, nos restaurantes, todo mundo pede o preço que quer.

Numa cidade em que o dinheiro é só o que importa e o reconhecimento social depende tão somente do dinheiro, não é de espantar que a violência seja tão grande e que as relações estejam tão degradas, sem menor sinal de solidariedade entre os indivíduos.

São Paulo é um barril de pólvora que com uma simples faísca pode explodir.

Quando a grande mídia preparava todo o balão de ensaio para reverter as conquistas sociais, direitos trabalhistas e previdenciários, eles recebem esse tapa na cara, com as manifestações gigantescas exigindo mais justiça social, não menos, como eles gostariam.

Quando esperavam uma inevitável guinada para a direita com a geração Luciano Huck saindo às ruas com vassouras na mão e nariz de palhaço, eles se deparam com essa molecada esperta embalada ao som do Criolo, Emicida, Mano Brown, tudo misturado com música e atitude punk nesse novo caldo cultural na cidade de São Paulo.

Frustrante demais para a direita. Não à toa que a imprensa marrom exija que a polícia vandalize a cidade e espanque esta surpresa tão indesejada.

A elite se incomodar com as manifestações seria muito mais do que previsível. Mas algumas figurinhas do PT vestirem a carapuça e desqualificarem o movimento é de doer!

Ah “porque são do PSOL do PSTU do PCO” sei lá mais o quê... Que nada! E se forem também que se dane...É um direito deles.  Isso não quer dizer nada nesse momento.

O PT não pode e nem deve polarizar com este movimento. Primeiro por questão de coerência política, compromisso de Estado e visão estratégica.  Segundo porque se polarizar vai trazer para si um sério risco que não precisaria correr. De besteira. Porque assumiu há seis meses esta cidade depois de anos desastrosos.



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Santo Antônio's Day





Valentine's Day é a porra! 

O dia é hoje molecada. 

Bora todo mundo ser deliciosamente brega, cafona e meloso. 

Quem quer namorar trate de agraciar (ou chantagear) o Santo Antônio, que continua sendo o santo casamenteiro.

E aproveita esse ano porque ano que vem a Copa do Mundo vai começar bem no Dia dos Namorados e o clima vai ficar meio esquisito com todo mundo entrando no motel bebaço, com confete na cabeça e de cueca e lingerie verde e amarelo.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Brasileiro vaquinha de presépio ou baderneiro? Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?



Então... Cresci ouvindo que o brasileiro é pacifico. 

Seríamos todos como vaquinhas de presépio.

Que o povo apenas se mobiliza para organizar o Carnaval, torcer pelo time do coração e pra seleção.

Que a Copa do Mundo é um absurdo porque o povo não se importa com o que realmente afeta sua vida.
Que o povão está acostumado à levar na tarraqueta e aceitar tudo o que vem dos políticos.

Que os argentinos sim são aguerridos em seus panelaços.

Que os europeus são mais desenvolvidos porque lá as revoluções sangrentas lavaram a alma e fizeram justiça.

Que deveríamos fazer como os árabes em sua primavera tão discutível e controversa.



Mas acontece que ao menor sinal dos ruídos e transtornos próprios de protestos e manifestações, os mesmos que faziam o discurso do "brasileiro acomodado" viram o disco e começam a salivar, indignando-se com a ação criminosa dos baderneiros.

Ora, pelo visto devemos contar apenas com os trimiliques do Jô Soares e as carteiradas do CQC para nos redimirem e lutarem pelos nossos direitos?

Sou absolutamente contra a depedração do patrimônio público. Por principio e também pelo efeito político negativo que isso desencadeia na sociedade. Temos que sensibilizar a população, não afastá-la.

Mas é preciso dizer que ninguém mais aguenta essa cidade cara e insensível.

A passagem do transporte público é só um exemplo da carestia endêmica de São Paulo.

Neste bojo está toda uma teia de preços abusivos, serviços públicos péssimos e um Apartheid disfarçado que afasta e exclui quem vive longe demais do eldorado prometido na "cidade das grandes oportunidades".
Não! Nossa cidade tão querida há tempos deixou de ser a terra das oportunidades.

São Paulo se converteu na terra do "quem pode mais chora menos". Da ganância, da violência, da especulação imobiliária, dos preços abusivos. Ta todo mundo vendendo a alma pro diabo e jogando às favas qualquer sentimento de respeito e solidariedade para com o próximo.

O negocio agora é grana. E só!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Exposição Tucana

Na Folha de hoje li uma nota que o PSDB está preocupado com sua imagem elitista.

Para tanto, em celebração aos 25 anos de fundação do partido realizará uma {exposição} com imagens de seus programas sociais.

Além disso reformará seu site com essa nova visão.

Exposição de fotos? Reestruturação do site?

Depois tem gente que fala que o PT vai ficar duas décadas no poder porque capturou as instituições, manipulou os miseráveis e implantou uma ditadura disfarçada no Brasil.

Como diria o Hebert Viana nos anos 90: "Livro pra comida, prato para educação".


O Brasil merecia uma oposição melhor e uma direita mais decente.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Casagrande e seus demônios. Alguns comentários de um grande fã.



Terminei de ler a biografia do Casagrande. 

Embora o livro esteja "entorpecido" com foco exagerado na sua experiência com as drogas e seu esforço de superação, o livro presenteia os fãs com uma narrativa empolgante que retrata a geração dos anos 80, mobilizada pelo esforço da redemocratização do Brasil embalada pelo rock e permeada de irreverência e insubordinação. 

Foi empolgante conhecer melhor os bastidores da Democracia Corinthiana e constatar mais uma vez sua relevância e conexão com os movimentos sociais de seu tempo.

Ao final, o depoimento pessoal do Casão (escrito por ele mesmo) é de chorar. 

Os maldosos e ressentidos colocam o rabo entre as pernas com uma linda declaração de amor ao Corinthians das mais apaixonadas! Os que especulavam o contrário não têm mais nada a dizer. 

Ele foi muito corajoso, honesto e transparente para narrar seu novo cotidiano, zelando permanentemente, um dia de cada vez, em busca de serenidade. 

Se comportou como um verdadeiro artista expondo suas vísceras. Acho até que ele próprio deveria ter escrito os outros capítulos de sua memória. Talvez numa próxima oportunidade. 

O grande ídolo da minha infância permanece vivo e presente no meu imaginário. 

Fico feliz por ele não ter virado mais um cuzão depois de "velho". Tal qual certos cantores de rock dos anos 80.

Sempre me identifiquei muito com o cara e depois do livro esta identificação só aumentou.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Racismo e violência. Comentário reprovado

Via Facebook:

Uma amostra do preconceito, intolerância e violência. O que desanima e deprime. Uma manifestação racista odiosa. 

Tempos atrás escrevi um post homenageando a Miss Angola (incrivelmente linda) que venceu o concurso de Miss Universo. Recentemente o post recebeu um comentário para moderação. Obviamente reprovei o comentário, até porque se aprovasse seria responsabilizado como solidário à ofensa. 

Não havia mostrado a ninguém o conteúdo, mas resolvi dividir com vocês com todas as aspas do mundo. Decidi publicar porque entendo que o momento exige. O conteúdo é forte pela violência e estupidez, mas o intuito é denunciar o que corre solto nas redes sociais:

"""""""Esse negócio de concurso de miss..... un.....SÓ VAGABA de terceira categoria, tudo mulher de programa! E quem foi que falou sobre genética maravilhosa de negro aí mesmo? Meu amigo, sou branca ao extremo e prefiro minha pele branca a ser negra pra dizer que tenho bela genética. do que adianta se congelar e ter um cabelo de bombril na cabeça, além de um narigão xapuletado, mais parecido com uma batata cozida amassada? E o beição largo com os olhos esbugalhados? Fora o Suor que emitem pelo corpo... ardente e mal cheiroso. Me desculpe, mas você SIM é preconceituoso ao defender sua raça e, para tal, é capaz de humilhar os brancos, como o fez neste seu comentário mesquinho.
em Miss Universo: Escolha de Miss Angola desencadeia enxurrada de manifestações racistas nas redes sociais""""""""


Infelizmente, este tipo de comentário é rotina, pelo menos no meu blog. 


Fora as ameaças anônimas que recebo cotidianamente. 

Por que será que as vezes paro de escrever?

Por muitas vezes pensei em fechar o blog, até porque não vivo dele. Faço apenas por amor. 

Vivemos em uma sociedade violenta e ressentida. 

A quebra das velhas hierarquias em uma sociedade tão verticalizada como a nossa abriu um conflito sem precedentes.

Em pleno processo de transformação com uma guerra oculta e malcheirosa. 

A guerra se passa de baixo dos nossos narizes. 

Como em todo conflito, é muito arriscado não escolher um lado. Mas o fato é que ninguém entende ao certo a distinção entre as forças opostas. A mediocridade, a violência, a burrice, o progresso, a esperança e as boas ações andam misturados. Está tudo muito confuso e feio.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Problema Nenhum. Vida que Segue. Aqui é Corinthians!





Problema nenhum.

Até que o corinthiano já sentia certa nostalgia dos momentos de sofrimento.

A gente meio que se reconhece nestes dias mais sofridos.

Foi desse jeito que a gente aprendeu a amar o Corinthians.

Fomos amamentados nestes dias cinzentos e carregados. Freud explica.

A verdade é que aprendemos muito pouco nos momentos de euforia. Quando tudo é êxtase nos quedamos pouco receptivos às grandes lições.

Não é à toa que a experiência de amar o Corinthians faça com que a gente aprenda um pouco mais sobre a vida. E que da mesma forma, as nossas experiências de vida tão marcantes, indubitavelmente contribuam para que o Corinthians se agigante.

O jogo contra o Boca foi um roubo só. Tudo muito evidente. Escancarado como é o ressentimento contra o sucesso do Corinthians. O roubo foi explícito como é o preconceito social contra os corinthianos. Como são as lamentações pela quebra das velhas hierarquias. Este tempo que parecia congelado na história brasileira em que todo mundo sabia o seu lugar na sociedade. E o Corinthians, certamente, deveria ocupar esse lugar subalterno no establishment do futebol.

Os direitos individuais são ameaçadores para alguns. A justiça social é intragável para quem não consegue conviver com a igualdade. E o Corinthians não pode vencer. O Corinthians não pode ter o seu estádio. O Corinthians não pode pegar um avião e derrotar os europeus. Os corinthianos não poderiam cruzar o mundo. Aquilo foi demais.

Essa Libertadores não poderia mesmo ser ganha pelo Corinthians.

Doze irmãos encarcerados injustamente em condições subumanas. Uma infeliz fatalidade ocorreu no interior da Bolívia. Um jovem perdeu sua vida e isso doeu no peito de cada um de nós, tão acostumados a passar momentos tão felizes nos estádios de futebol. Para dar respostas aos inquisidores, uma dúzia de cidadãos brasileiros foi escolhida aleatoriamente para assumir a bronca. Doze vidas humanas se perdendo num calabouço boliviano para o sorriso sarcástico dos hipócritas. “Ora, que apodreçam na cadeia. São todos corinthianos. Todos pobres, que não sabem se expressar, falam gírias e pertencem às quadrilhas das torcidas organizadas”.

Não! Esse campeonato não era pra gente.

O Corinthians parece ser a causa de todos os males. É insuportável ver o Corinthians vencer.

Isso também não é novidade para nós.

Em 1914, há cem anos, depois que o Corinthians venceu o primeiro campeonato de sua história, terríveis forças da oligarquia paulistana se mobilizaram para excluir o Corinthians da liga.

Desde sempre o Corinthians causou grande incômodo. Precisamos lutar muito para sobreviver e superar todos os obstáculos.

E continuaremos lutando.

Vencendo todas as barreiras.

Podem nos roubar um campeonato.

Podem ofender e caluniar a nossa gente.

Podem dedicar tantas quantas manchetes escandalosas para atacar o nosso Corinthians.

Mas nunca poderão arrancar o amor que pulsa em nossos corações.

Não conseguirão apagar a chama das nossas idéias

Jamais poderão acabar com a paixão que explode dentro do peito de cada corinthiano.

Nunca poderão sufocar o grito na garganta de cada um de nós que para todo sempre irá gritar: “Vai Corinthians!”.

O que faz o Corinthians diferente dos outros clubes não é o nosso esquadrão, tampouco os campeonatos conquistados, mas a definitiva e extraordinária experiência de ser corinthiano. E isso ninguém poderá nunca nos roubar.