sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Elogio ao amor vagabundo



Saudemos aqueles que amam demais.
Que se desperdiçam pelas esquinas transpirando paixão.
São nobres os que não fazem contas na hora de amar. 
Que não puxam o extrato para verificar o saldo e saber se mais amou ou se mais foi amado. Se mais recebeu ou se mais foi doado.
Bem aventurados os despudorados. 
Aqueles que exibem seus corpos deliciosamente. Que não escondem a pele, a barriga, os pelos, as marcas colecionadas ao longo da vida. 
Que não sentem vergonha de tudo aquilo que nos torna humanos. 
Parabéns aos otimistas. Os generosos que enxergam o melhor na natureza do outro. Aqueles que miram o charme ao invés do defeito. 
Saudações aos que desprezam a soberba. Que não se crêem os mais belos dos belos. Os que não estão com o copo totalmente cheio. Que não perdem a capacidade de regozijar por alguém que habita além de seu espelho.
Graças aos desmoralizados. Aos que queimam na inquisição social por não aceitarem o controle, o pragmatismo, a moral e as normas de conduta.
Felicitações aos fodidos de tanta paixão. 
Que se abrem feito mala velha e se arriscam em nome do amor, já que há tempos prevalece a ferrugem nos sorrisos e nem os santos tem ao certo a medida da maldade.
Dedico um cálice de saliva aos que não se perdem em nojos tolos. Aos que não precisam de perfumes nem cremes. 
Aqueles que suam. Os que olham no fundo dos olhos e vão no fundo do corpo, no fundo da alma e transbordam.
No mundo da auto-ajuda, premiemos aqueles que se ajudam mutuamente.
Na era do consumismo, felizes daqueles que preferem as pessoas às mercadorias, ainda que homens e mulheres não tenham garantia contra defeitos originais.
Se acaso for verdade que chegamos ao fim da história, preservemos os seres humanos que ainda mantém um acréscimo de desejo e se renovam em novas e velhas histórias de amor.

7 comentários:

  1. Não tem nada melhor do que esse sentimento que você descreveu. De fato, a gente acaba de distraindo com coisas fúteis e deixando de lado aquelas que realmente fazem o nosso sangue correr pelas veias. Uma das melhores crônicas que já li. Obrigada por compartilhar conosco.

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  2. Muito bom meu caro. Depois destas palavras aceito me casar com vc..rsrs.
    Belas palavras. Ta faltando amor porra!! Ta faltando amor...

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  3. Q belo texto. Um dos mais bonitos q ja li sobre o amor.

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  4. ainda bem que teu peito e alma explodem em palavras!
    grazie!!!

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  5. ...ainda bem que teu peito e alma explodem em palavras...'grazie' por tanta beleza!

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  6. Patricia Maia Rosemberg3 de junho de 2014 15:49

    Pura poesia!

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  7. Fui (ainda sou) apaixondado loucamente por uma mulher, morávamos distantes e nos encontrávamos sempre q dava. Os esforços eram enormes para ficarmos juntos, as horas com ela passavam rápido. Minha vida era movida à promoções de voos, dirigindo horas as vezes para tê-la rápido e voltar pro trbalho. Foram 4 anos de loucura e paixão e saudades. Foi o melhor namoro q eu ja tive. Foi a melhor mulher q poderia ter. Falo no passado pq ela se foi mês passado. Ela estava doente, descobriu tarde e foram 6 meses de luta contra a doença. A parte boa é q mesmo morando longe segurei a sua mão no último momento e pude dizer q a amava, mais uma vez, pela última vez. Hj é o dia da falta, e fiquei aqui vagando pela net até encontrar o seu texto. Chorei, pq lembrei dela e com certeza ela adoraria a sua escrita.
    Espero q a sua vida seja tão movida de amor qto o seu texto. Q vc tenha uma mulher maravilhosa ao seu lado e q vc nunca a perca. A vida é feita desses pequenos grandes momentos a dois. Posso ate gostar de uma outra mulher, mas amar de verdade só uma vez. A minha vez ja passou. Tudo de bom na sua vida. Abraço.

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