quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Golpe! Foi Golpe!



GOLPE! Foi GOLPE!
Sinto um gosto amargo na garganta. Uma tristeza pelo Brasil. Teremos que passar por mais isso.
Quero agradecer ao Presidente Lula e a Presidenta Dilma por tudo que fizeram pelo Brasil. Redução da miséria extrema. Derrubar pela metade a mortalidade infantil. Só isso já seria o suficiente. São vidas humanas que foram resgatadas.
Mas não foi só isso. O Brasil ganhou dignidade. Passou de uma nação corcunda e submissa para uma potência emergente. Que se apresentou ao mundo com dignidade. Que liderou um grande número de países que sonham com um mundo mais justo e de paz.
Essa nação, ainda escravocrata, por algum momento olhou de verdade para os mais pobres. Fez a opção por aqueles que nunca tiveram vez nem voz. Que foram excluídos e esmagados.
Ainda que para isso tenha sido feito a escolha (certa ou errada - a história dirá) de negociar uma trégua com esta elite atrasada. Essa escolha de costurar alianças com certa parte de elite que, esperava-se capaz de assumir um pacto pelo desenvolvimento do Brasil e passasse a aceitar a inclusão social como condição necessária para que todos pudessem crescer..
Ainda que os interesses das elites tenham sido preservados, no que se refere aos grandes lucros. Ainda que o crescimento econômico e a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo tenham garantido ganhos imensos. Que os bancos só tenham aumentado seus lucros indecentes. Nada disso evitou que essa trégua acabasse.
Nada menos que um governo absolutamente servil, essa elite aceita. Nada menos que um governo que se pareça com ela. Nada menos que um espelho desta elite suja e cruel se tolera no Palácio do Planalto. Não tem arrego! Não tem acordo!
Voltemos para os anos 90, pois. Ainda que nosso país se veja atrofiado, desmanchado. Ainda que as indústrias fechem as portas que ainda restam abertas. Sim, ainda que os industriais do "Pato Amarelo" sejam apunhalados pelo novo governo, gozarão com alegria. Ainda que a classe média branca dos grandes centros urbanos brasileiros percam seus direitos, seus empregos, sua possibilidade de aposentadoria, seus apartamentos com varandas gourmet. Ainda que o Brasil entregue seu subsolo, sua chance de um futuro melhor, ainda que o SUS seja desmontado. Nada disso roubará o sorriso dessa gente tola em servir aos velhos senhores e não perder o privilégio, o status social e o protagonismo tão reivindicado desde que a "escória petista" assumiu o poder.
Obrigado, Presidente Lula. Não esquecerei jamais daquela foto em que um menino negro e pobre toca sua barba. E o senhor se deixa tocar. Carregado nos braços pelo pai, o menino se reconhece no presidente. Pode tocá-lo. Pode também sonhar. Saber que é gente. Que pode chegar lá. Que não nasceu apenas para ser escravo. Obrigado, Presidente Lula. Minha vida efetivamente mudou muito. Minha vida e da minha família.
Jamais perdoariam o que o senhor fez de melhor. Jamais perdoariam a eleição de Dilma. Uma guerrilheira que foi a candidata vencedora dos mais pobres por duas vezes. Uma mlher honesta e honrada que não se sobrou diante dos ladrões e aves de rapina. Jamais! Jamais aceitarão que um menino pobre possa sonhar em ser presidente. Querem destruir a sua imagem, justamente porque tentam apagar o que o senhor significa. Não conseguirão! Por muitos anos o senhor se manterá como um símbolo da luta dos mais pobres por dignidade.
Por fim, esse país tão lindo e maravilhoso não merecia estar tão perto dos Estados Unidos da América. Daqui cinquenta anos (ou menos), talvez tenhamos outros relatórios nos dando conta de como esse golpe foi costurado. Talvez tenhamos outros tantos hipócritas pedidos de desculpas dos órgãos de imprensa por apoiar mais uma vez um golpe de Estado.
É duro entrar nessa década sonhando com o futuro de um Brasil mais justo, sem fome e miséria, com desenvolvimento econômico e social e acordar nos dando conta que voltamos a ser uma rebubliqueta de bananas, com quarteladas, tapetões, presepadas e viradas de mesa. Com 54 milhões de votos jogados no lixo.
Da nossa parte, mais valem as lágrimas da derrota por ter lutado por aquilo que acreditamos, do que a satisfação tola de quem sorri diante da tragédia de um país que mais uma vez perdeu a chance de resgatar as vidas humanas que fingimos não ver, sofrendo de fome, miséria e abandono, sem um lugar digno para morar e sem esperança de se sentirem de fato irmãos brasileiros.

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