quarta-feira, 27 de março de 2013

Sobre botecos e baladas

Os bares e botecos têm nomes em português. Remetem intencionalmente à brasilidade.

Já as baladas, quase sempre tem nomes em inglês. Uma ou outra adota o francês.

Bares e botecos são propositadamente rústicos.

As baladas são desnecessariamente sofisticadas.

O curioso é que são justamente as mesmas pessoas que freqüentam os dois ambientes. Mas cada um dos locais exige um discurso e um comportamento distinto.

O cardápio dos botecos está repleto de comidinhas saborosas, cervejas de garrafa, chopp tirado na hora e cachaças de todos os tipos.

As baladas servem coquetéis espalhafatosos, drinques sofisticados e para estimular todas as compulsões vendem os energéticos, também com suas marcas em inglês.

No boteco, caso você beba demais, o dono te oferece um ombro amigo, te carrega pelo braço e te coloca dentro do taxi.

Na balada, se você ultrapassar os drinques o segurança também te carrega pelo braço, te leva até a porta, chuta a sua bunda e te atira na sarjeta.

No boteco as pessoas se tornam subitamente sinceras. Abrem o jogo e se expõem até demais. Falam de suas vitorias, mas também contam suas derrotas. Confessam seus casos, mas também desabafam sobre seus grandes cornos.

Na balada todos são bonitos, bem sucedidos, receberam promoção no trabalho e estão extravasando felicidade. Querem a todo custo escapar dos amores asfixiantes.

No bar, a barriguinha é um acessório dos mais interessantes. Sinal de simpatia e garantia de boas historias.

Na balada a forma física é importante. Você não pode usar a camiseta que ganhou de brinde no posto de gasolina. Você deve parecer atraente.

O boteco - com nome em português - é o lugar das grandes verdades. Inclusive as mais devastadoras. Cenário das grandes revelações.

A balada - com nome gringo - é o espaço das fantasias. Onde se contam as grandes mentiras, inclusive aquelas mais sinceras. Na balada as pessoas podem projetar a imagem que gostariam para si mesmos. Uma idealização sobre a própria realidade.

Alguns podem imaginar que este é um discurso contra a balada (e a favor dos botecos), mas não é nada disso.

Todo mundo precisa de um pouco de fantasia. Usar as diferentes máscaras guardadas na gaveta das roupas íntimas.

Porque nas vezes em que falamos as "grandes verdades", nem sempre estamos sendo sinceros.

Também, certas vezes em que se contam mentiras, estamos tentando dizer (mesmo sem querer) grandes verdades cruas.

Acho que todo mundo tem o melhor e o pior dentro de si. O bem e o mal concorrem na nossa cabeça.

Balada é bom. São tão lindas certas fantasias noturnas.

Mas, cá entre nós, nada pode superar um bom papo de boteco.


terça-feira, 26 de março de 2013

O paraíso fiscal quebrou! E agora?




Via Facebook


O Chipre, famoso paraíso fiscal dos magnatas e mafiosos europeus, acaba de decretar um calote. 

O curioso é que o discurso hegemônico quer convencer a comunidade global que a atual crise mundial se deu pelo "endividamento dos Estados". 


Como se as grandes economias tivessem quebrado por conta das garantias sociais e investimentos públicos, não pela farra especulativa dos banqueiros gananciosos.


O Mercado (com M maiúsculo) exige o cumprimento de metas de "superávit primário" cobrando dos países cortes nos investimentos e nos programas sociais, agravando ainda mais a recessão. 


Tudo para garantir o pagamento da banca. 


E agora? Vão dizer que o Chipre faliu por conta dos gastos sociais?


O país tem menos de um terço da população da Zona Leste da Cidade de São Paulo, e os bilhões depositados nos bancos do Chipre lá estão justamente com a promessa de estarem livres de tributos e contrapartidas sociais.


Será que agora vão assumir que o país quebrou pelo castelo de cartas dos especuladores que também desgraçou a economia mundial?


Claro que não.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Magia da Camisa Preta com Listras Brancas





Nove em cada dez corinthianos fanáticos idolatram a camisa preta com listras brancas.

É só olhar ao redor.

Ainda que seja igualmente fantástico assistir o Corinthians num lindo dia de sol no Pacaembu vestindo a camisa branca com calções pretos e meias pretas.

Mas a camisa preta com listras brancas é única. Só o Corinthians se veste daquele jeito.

É só bater o olho na tevê, deparar-se com o uniforme e qualquer fã do esporte sabe que se trata do alvinegro do Parque São Jorge.

Não sei quem foi o gênio do marketing que sacrificou a camisa preferida dos corinthianos para fazer laboratório de novas experiências em peças publicitárias.

Mesmo depois de anos suspensa, a camisa preta com listras brancas permaneceu vendendo muito mais do que suas derivações.

Quem ganhou dinheiro com isso, ao invés da fornecedora oficial de material esportivo do Corinthians, foi a empresa que produz as réplicas históricas das camisas consagradas.

A impressão que se tem é que a fornecedora oficial coloca seus estagiários da Malásia para produzir a camisa do Corinthians. Não é possível.

Abrir mão da camisa mais linda do universo é no mínimo uma estupidez, ou mesmo obra de quem está completamente desconectado da realidade e do cotidiano do Corinthians.




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À Camisa Preta com Listras Brancas.

Como é lindo ver o Corinthians jogar com essa camisa. Foram tantos momentos épicos. O maior deles no dia 13 de Outubro de 1977. O gol mais fantástico da história do futebol mundial. A Páscoa de todo Corinthiano.

A camisa do Corinthians é pura magia.

Talvez magia negra, mas com listras brancas.

É a constatação empírica de que existe um lado ainda oculto na existência humana. Aquilo que foge ao nosso entendimento. Que não se pode racionalizar nem explicar. Melhor mesmo é viver.

Certas coisas simplesmente existem. Permeiam a natureza e não são materiais. Por isso mesmo não são palpáveis. O Corinthians é uma delas.

A camisa preta com listras brancas é meta-física.



O futebol mundial está repleto de camisas interessantes. Algumas bonitas e elegantes. Outras são feias e desajustadas. Existem camisas espalhafatosas, outras discretas e opacas. Existem camisas poderosas. Camisas caras. Outras são muito simples e até mesmo engraçadas.

Mas a camisa preta com listras brancas tem alma. Rola alguma coisa na atmosfera daquela camisa que o mundo gira diferente.

A camisa é enigmática.

Tem um montão de camisas dos grandes clubes do planeta que seus fãs usam casualmente, muitas vezes para passear, vestindo algo mais informal.

Mas quem veste a camisa preta com listras brancas não pode ser casual. Ninguém usa esta camisa de maneira despretensiosa. O impacto é inevitável. Para muitos a camisa é até mesmo ameaçadora.

A camisa preta com listras brancas é subversiva.



O amor dos torcedores dos outros clubes por suas camisas é evidente. Não se pode desrespeitar este sentimento verdadeiro do indivíduo pelas cores do seu time.

Os outros torcedores até beijam o seu distintivo.

Mas com a camisa preta de listras brancas a paixão é muito mais enlouquecida. Quem veste essa camisa não dá apenas um beijinho respeitoso. Ama com ardor. Oferece beijos pornográficos. Entrega a própria alma. Respira o mesmo ar. Olha fundo no olho de quem se ama e não sente vergonha de nada. Porque não existe fronteira entre o amor carnal, afetivo ou espiritual. Porque o Corinthians não está descolado dos outros amores da vida da gente. É tudo a mesma coisa. Tudo misturado.

Quem veste a camisa preta com listras brancas não ama o trabalho em horário comercial, a família aos fins de semana e o clube de futebol às quartas e domingos em dias de decisão.

Aqui é Corinthians!  E não existe amor burocrático. É tudo intenso e desmedido.

Um brinde à irracionalidade. Às paixões patológicas.

A camisa preta de listras brancas tem energia.

Quero mesmo ver o meu coringão vestindo aquela velha camisa preta com listras brancas. Sem invenções. Sem rabiscos oblíquos.

Pelo amor de Deus, que não mexam mais nesta camisa sagrada.

Registrem em nosso estatuto, a fim de que esta camisa para sempre seja louvada e jamais corrompida. Proponho que sejam inclusive obrigatórias as medidas exatas das listras brancas para que não haja outras deformações.

Que seja eternizada a camisa de 1977 e ela seja o padrão obrigatório para as outras camisas que virão.


segunda-feira, 18 de março de 2013

O Papa é POPulista

O Papa é POPulista




Na América do Sul, qualquer líder que governe buscando apoio político para além das alianças regulares com a elite, é considerado um populista. 

Enquanto o governante mobilize todas as energias produtivas do Estado em defesa dos interesses da elite, de acordo com as principais experiências ao longo da história está tudo de acordo com a normalidade.

Afim de garantir o apoio da grande imprensa e as grandes subvenções financeiras às campanhas eleitorais, os grandes políticos procuram a todo momento o apoio político das oligarquias locais, com favores, afagos e grandes negociatas.


O chamado "populismo" prosperou na história republicana da América Latina porque sempre houve um contingente populacional carente de representação política, e por conseguinte, carente de inclusão social na ordem estatal.


Neste infeliz continente, onde a elite se apropria de todas as riquezas nacionais, cooptando os servos das classes médias brancas e deixando as migalhas para os pobres, não seria motivo de surpresa que os políticos mais ousados capturassem a carência  de representatividade das grandes populações amontoadas nas roças, vilas e favelas, e alijadas do cenário político.


Nos anos 30 e 40  foram os operários e trabalhadores industriais os novos protagonistas políticos.


Os governantes que criaram as primeiras legislações trabalhistas no continente, ganharam o estigma de demagogos e foram posteriormente qualificados como populistas.


Nos anos seguintes, as mulheres ganharam o direito ao voto.


Mais recentemente, na virada do novo século, os miseráveis, sem vínculo formal com o mercado de trabalho, sem acesso à terra, à justiça, à educação, à saúde e qualquer outra garantia de proteção do Estado, foram incluídos no processo democrático por governos que estabeleceram uma rede de benefícios sociais e principalmente souberam estabelecer uma comunicação direta com este grande eleitorado que foi desvinculado do histórico domínio político dos velhos coronéis.


Os líderes deste processo também foram qualificados como populistas.

O Papa Francisco, nascido na Argentina, berço esplêndido de grandes políticos populistas, foi imbuído da tarefa de restaurar a Igreja e arrebanhar um novo contingente de fiéis.

Não foi escolhido à toa. Conhece muito bem quais os recursos possíveis para executar esta responsabilidade sagrada.

O Papa Francisco dispensou o trono de ouro e ao invés de abençoar os fiéis pediu que eles todos o abençoassem primeiro.

Pagou a própria conta no hotel, deixou ser fotografado andando de ônibus e ao invés de ostentar um crucifixo de ouro, exibe uma modesta cruz de latão.


Ao invés do tradicional sapato vermelho da autoridade eclesiástica, apareceu na missa com simples sapatos pretos de cadarço.


Pois bem, será que o novo Papa também será chamado de populista pela elite eclesiástica ressentida?


Hay que endurecer, pero sin perder la catimba jamás!





sábado, 16 de março de 2013

Resposta do Ministério das Relações Exteriores ao Manifesto em Defesa dos Brasileiros Detidos Injustamente na Bolívia

Amigos,

Segue abaixo a resposta que recebi do Ministerio das Relações Exteriores, após o envio do Manifesto em defesa dos brasileiros detidos injustamente na Bolívia.

Embora, ao meu ver, considere a resposta satisfatória, creio que devemos permanecer com todo tipo de pressão institucional e não afrouxarmos neste momento.

Caso contrario, depois o caso pode entrar no esquecimento.

Obrigado a todos que enviaram o manifesto.

Entendo que nos brasileiros devemos aprender a nos relacionarmos com as nossas instituições como forma de fortalecimento da nossa democracia.

Abraço

Rafael Castilho

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Divisão de Assistência Consular - Itamaraty
Data: sexta-feira, 15 de março de 2013
Assunto: Res: Manifesto em defesa dos doze corinthianos presos injustamente na Bolívia
Para: "25brasil@gmail.com" <25brasil@gmail.com>




Prezado Senhor.

Acuso recebimento da mensagem eletrônica de Vossa Senhoria enviada a este Ministério na data de hoje, 13 de março do corrente. Transmito, a seguir, informação sobre a assistência prestada aos brasileiros detidos pela Embaixada do Brasil em La Paz e gestões feitas junto às autoridades locais com vistas a assegurar que seja dispensado tratamento digno a nossos conacionais naquele país.

A Embaixada do Brasil em La Paz vem prestando assistência consular aos brasileiros detidos preventivamente na Bolívia desde o momento em que tomou conhecimento de sua detenção pelas autoridades bolivianas. No exercício das obrigações inerentes à assistência consular devida a qualquer cidadão brasileiro em dificuldades no exterior, diplomatas lotados na Embaixada do Brasil em La Paz têm visitado os detidos frequentemente. No dia 24 de fevereiro, por exemplo, o Embaixador do Brasil na Bolívia, autoridade brasileira mais alta naquele país, deslocou-se a Oruro e realizou visita aos brasileiros detidos. Naquele momento, as autoridades locais providenciaram o que seriam as melhores dependências prisionais para os detidos, e a Embaixada adquiriu colchões, cobertores e alguns mantimentos para os brasileiros, para prover-lhes maior conforto.

No início de março, seis dos torcedores brasileiros receberam aplicação de medida punitiva e foram enviados para celas no subsolo da penitenciária, por portarem celulares cuja posse, apesar de não funcionarem na Bolívia, são proibidas pelas normas carcerárias do vizinho andino. A Embaixada do Brasil procedeu com rapidez para por a termo a medida punitiva. Nesse contexto, o Ministro-Conselheiro da Embaixada dirigiu-se ao presídio em Oruro para suspender a medida punitiva, já que não havia motivo para a punição. Após intensa e longa gestão junto ao Diretor do presídio, foi possível retirar os brasileiros do subsolo do presídio e retorná-los para o convívio com os outros seis brasileiros detidos. Nessa mesma data, por ocasião de visita a Cochabamba, o próprio Ministro das Relações Exteriores solicitou ao Presidente Evo Morales que os brasileiros recebessem tratamento digno e julgamento adequado.

Do ponto de vista jurídico, o Dr. Miguel Blancourt, advogado boliviano contratado pelos dirigentes do Corinthians para a defesa dos brasileiros, atua diretamente no caso, em coordenação com a Embaixada. Na primeira audiência, os brasileiros eram representados por advogado cuja contratação foi feita sem referências adequadas de quais seriam os melhores profissionais habilitados a defendê-los. Durante essa audiência, o Dr. Blancourt efetuou algumas intervenções em favor dos brasileiros. Cumpre esclarecer, que compete ao poder judiciário boliviano deliberar sobre a culpabilidade dos brasileiros, após a argumentação da defesa e da promotoria. A Embaixada, com vistas a verificar se as autoridades bolivianas estão agindo em conformidade com os ritos processuais bolivianos, seguirá acompanhando as audiências referentes ao caso.

Com relação a veiculação de notícias sobre o possível autor do disparo que agora se encontra em território nacional, a Embaixada e o advogado dos brasileiros deram ciência às autoridades bolivianas do fato. A Embaixada em La Paz manifestou a disponibilidade do Governo brasileiro para colaborar com a Bolívia em matéria de cooperação jurídica. Compete ao judiciário boliviano solicitar às autoridades policiais brasileiras a tomada de depoimentos de pessoas que estão no Brasil que pudessem esclarecer os lamentáveis fatos ocorridos durante a partida de futebol.

Permaneço à disposição de Vossa Senhoria para prestar quaisquer outros esclarecimentos que julgar pertinentes.

Cordiais saudações,

Divisão de Assistência Consular

MSCFF


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Manifesto em defesa dos doze brasileiros detidos injustamente na Bolívia.
Senhor Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota

Senhora Presidenta da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal Deputada Perpétua Almeida

Senhor Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal Senador Ricardo Ferraço

A tragédia ocorrida na cidade de Oruro na Bolívia, com a morte do jovem Kevin Espada, causou justa comoção e indignação na Bolívia, no Brasil e em diferentes partes do mundo.

A perda da vida do jovem Kevin entristece não somente os amantes do esporte, mas todos aqueles que lutam pela paz e pela justiça.

Nenhuma disputa desportiva pode justificar um feito tão violento. Devemos todos perseverar para que este episódio não se repita. Que nenhum outro jovem perca sua vida por dolo ou por imprudência ocorrida no interior de um estádio de futebol, local onde deveria sempre imperar a alegria e a confraternização. Que nenhuma outra família tenha de chorar a perda de um ente querido, que na busca de uma atividade lúdica e apaixonada, torna-se vítima de imperdoável violência.

Todos queremos justiça.

Mas se a rivalidade futebolística não pode de forma nenhuma justificar atos de violência, da mesma forma, tal rivalidade não pode encobrir grandes e cruéis injustiças contra cidadãos brasileiros presos injustamente no país vizinho.

Os doze homens presos num calabouço boliviano não são meramente torcedores corinthianos. Antes de tudo, são cidadãos brasileiros submetidos a tratamento cruel e desumano, sem condições mínimas de saúde e higiene.

Sendo assim, a questão dos doze brasileiros detidos na Bolívia não é simplesmente um problema das autoridades desportivas, mas uma questão de Estado.

Nos últimos dias, peritos criminais foram entrevistados pela Rede Globo. Ao compararem as imagens do jovem que se apresentou às autoridades brasileiras como culpado pelo lançamento do objeto que vitimou o garoto boliviano, com as imagens do momento exato do lançamento do "sinalizador marítimo" divulgadas por uma rede de tevê boliviana, além da própria Rede Globo, não tiveram dúvidas em afirmar que se tratava da mesma pessoa. Da mesma forma, os peritos não reconheceram nenhum dos brasileiros presos na Bolívia como eventuais colaboradores do delito cometido.

Claro que as manifestações dos entrevistados não tem efeito algum no processo judicial que corre na Bolívia. No entanto, temos a evidencia que uma grave injustiça está sendo cometida contra nossos irmãos brasileiros presos como "bodes espiatórios" de um crime que não cometeram.

O desejo de justiça presente na sociedade - principalmente entre os bolivianos pelo crime cometido - não pode e não deve ser confundido com a sanha por vingança.

Se respostas devem ser dadas à sociedade após a perda do jovem Kevin, não será o sacrifício de inocentes a melhor maneira de encontrar justiça.

Os doze brasileiros não são cúmplices e não colaboraram de forma nenhuma para a morte do garoto Kevin Espada.

Por isso pedimos o apoio das autoridades da política externa para defenderem estes brasileiros submetidos à violência e à injustiça e sensibilizar as autoridades bolivianas para libertarem imediatamente nossos compatriotas.

O Brasil possui relações mais do que amistosas com a Bolívia.

Centenas de milhares de bolivianos vivem somente na cidade de São Paulo.

Infelizmente, muitos destes irmãos bolivianos estão submetidos à condições de trabalho degradantes, motivando permanentes esforços por parte das autoridades brasileiras para evitar abusos e proteger a população de imigrantes dos criminosos e exploradores.

Devemos todos caminhar juntos em busca da justiça. Jamais procurando vingança.

Os doze homens que estão presos na Bolívia não são apenas corinthianos, mas principalmente cidadãos brasileiros.

O Estado brasileiro tem obrigação de defender seus filhos, ainda mais com exemplo tão claro e notório de injustiça.

Esperamos sinceramente que nossos apelos sejam ouvidos e possamos contar com nossas autoridades neste momento tão difícil e delicado.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Essa nossa direita...

Via Facebook

A direita do Brasil é tão ridícula e pobre de idéias que tem no Jair Bolsonaro sua grande manequim, no Silas Malafaia seu líder espiritual, na Revista Veja sua cartilha e no Merval Pereira seu guru intelectual.

Não é à toa que no Brasil ninguém se assuma como de direita, tampouco como liberal. Até mesmo FHC, Serra e Aécio são agora chamados de ESQUERDA DEMOCRÁTICA pelo Roberto Freire (a Sarah Palin brasileira), alçado à condição de grande timoneiro da articulação de uma frente renovadora de oposição que pretende salvar o Brasil.

Agora vai!

Ps: seria bom que tivéssemos uma direita com mais qualidades e propósitos nacionais. Isso contribuiria entre outras coisas para que o Brasil contasse com uma esquerda mais decente!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Manifesto em defesa dos doze brasileiros detidos injustamente na Bolívia.

Senhor Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota

Senhora Presidenta da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal Deputada Perpétua Almeida

Senhor Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal Senador Ricardo Ferraço

A tragédia ocorrida na cidade de Oruro na Bolívia, com a morte do jovem Kevin Espada, causou justa comoção e indignação na Bolívia, no Brasil e em diferentes partes do mundo.

A perda da vida do jovem Kevin entristece não somente os amantes do esporte, mas todos aqueles que lutam pela paz e pela justiça.

Nenhuma disputa desportiva pode justificar um feito tão violento. Devemos todos perseverar para que este episódio não se repita. Que nenhum outro jovem perca sua vida por dolo ou por imprudência ocorrida no interior de um estádio de futebol, local onde deveria sempre imperar a alegria e a confraternização. Que nenhuma outra família tenha de chorar a perda de um ente querido, que na busca de uma atividade lúdica e apaixonada, torna-se vítima de imperdoável violência.

Todos queremos justiça.

Mas se a rivalidade futebolística não pode de forma nenhuma justificar atos de violência, da mesma forma, tal rivalidade não pode encobrir grandes e cruéis injustiças contra cidadãos brasileiros presos injustamente no país vizinho.

Os doze homens presos num calabouço boliviano não são meramente torcedores corinthianos. Antes de tudo, são cidadãos brasileiros submetidos a tratamento cruel e desumano, sem condições mínimas de saúde e higiene.

Sendo assim, a questão dos doze brasileiros detidos na Bolívia não é simplesmente um problema das autoridades desportivas, mas uma questão de Estado.

Nos últimos dias, peritos criminais foram entrevistados pela Rede Globo. Ao compararem as imagens do jovem que se apresentou às autoridades brasileiras como culpado pelo lançamento do objeto que vitimou o garoto boliviano, com as imagens do momento exato do lançamento do "sinalizador marítimo" divulgadas por uma rede de tevê boliviana, além da própria Rede Globo, não tiveram dúvidas em afirmar que se tratava da mesma pessoa. Da mesma forma, os peritos não reconheceram nenhum dos brasileiros presos na Bolívia como eventuais colaboradores do delito cometido.

Claro que as manifestações dos entrevistados não tem efeito algum no processo judicial que corre na Bolívia. No entanto, temos a evidencia que uma grave injustiça está sendo cometida contra nossos irmãos brasileiros presos como "bodes espiatórios" de um crime que não cometeram.

O desejo de justiça presente na sociedade - principalmente entre os bolivianos pelo crime cometido - não pode e não deve ser confundido com a sanha por vingança.

Se respostas devem ser dadas à sociedade após a perda do jovem Kevin, não será o sacrifício de inocentes a melhor maneira de encontrar justiça.

Os doze brasileiros não são cúmplices e não colaboraram de forma nenhuma para a morte do garoto Kevin Espada.

Por isso pedimos o apoio das autoridades da política externa para defenderem estes brasileiros submetidos à violência e à injustiça e sensibilizar as autoridades bolivianas para libertarem imediatamente nossos compatriotas.

O Brasil possui relações mais do que amistosas com a Bolívia.

Centenas de milhares de bolivianos vivem somente na cidade de São Paulo.

Infelizmente, muitos destes irmãos bolivianos estão submetidos à condições de trabalho degradantes, motivando permanentes esforços por parte das autoridades brasileiras para evitar abusos e proteger a população de imigrantes dos criminosos e exploradores.

Devemos todos caminhar juntos em busca da justiça. Jamais procurando vingança.

Os doze homens que estão presos na Bolívia não são apenas corinthianos, mas principalmente cidadãos brasileiros.

O Estado brasileiro tem obrigação de defender seus filhos, ainda mais com exemplo tão claro e notório de injustiça.

Esperamos sinceramente que nossos apelos sejam ouvidos e possamos contar com nossas autoridades neste momento tão difícil e delicado.