sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Um momento de decepção com o futebol

- Novembro de 2014

Muitos amigos Corinthianos, os quais não havia tido a oportunidade de ser apresentado, passaram a me conhecer depois que escrevi um texto chamado "O porquê do vai Corinthians".
O texto foi lido por milhares de pessoas e trouxe coisas lindas na minha vida.
Igual a todos vocês, dediquei a melhor parte da minha vida ao Coringão do nosso coração.
Não me arrependo de nenhum suor nem de nenhuma lagrima derramados. Mas confesso que estou muito decepcionado.
Não só com o Corinthians, mas com o futebol como um todo.
Pela primeira vez na vida perdi o desejo de ir aos jogos e até mesmo de acompanhar as partidas pela televisão.
Espero que isso mude, pois vivi momentos muito felizes e emocionantes nos jogos do Corinthians.
Lendo as últimas notícias vejo que o Corinthians pode ser punido pelo STJD porque:
1- uma bexiga inflável caiu no campo de jogo.
2- um cachorrinho entrou em campo no meio da partida.
3- em outro jogo, dois meninos pularam o muro e foram até os jogadores ao final da partida para tirar uma foto. Pior de tudo, para se defender de potenciais punições o Corinthians declarou que encaminhou os meninos para o Juizado de Menores!
Sei que muitos devem pensar que minha atitude é política. Mas digo sinceramente que não é. Porque politicamente, acredito que não há caminho melhor do que a participação para transformar tudo aquilo que não consideramos correto.
Porém, ocorre que minha atitude é bem mais preguiçosa. Este futebol que "os caras" construíram, absolutamente desumanizado e burro não é o futebol que eu aprendi a gostar. Simplesmente, não me interessa. Na verdade, eu gosto de outro jogo. Outro esporte muito diferente deste espetáculo deprimente que pretende apagar a nossa história e nos transformar em uma feia e triste caricatura do que se idealiza que seja o futebol europeu. Por debaixo de uma fantasia de modernidade se escancara um jogo absolutamente patético que não agrada mais a quase ninguém.
Internamente no Corinthians, o cenário também não é nada animador.
Voltando ao texto que escrevi, eu dizia que "Vai Corinthians" e "Aqui é Corinthians" eram, na verdade, elogios à simplicidade.
Hoje, eu vejo tudo no Corinthians, menos simplicidade. Ao contrário, percebo uma arrogância que não tem nada a ver com nossa história.
Fica nítido que o atual presidente não suporta a torcida. Para ele, a nossa massa é um inconveniente que se deve aturar para que o negócio continue. O time não joga do jeito que a torcida gosta, o técnico não é aquele que gostaríamos, a organização do estádio contraria o gosto da galera, a pior contratação da história do Corinthians, de um jogador que em nada tem em comum com nossa identidade, teve seu inevitável fracasso debitado da conta da torcida.
Simplesmente não nos querem.
O Ronaldo Fenômeno fez bem ao Corinthians, mas até a página 12. Fez-se uma interpretação equivocada do sucesso de sua passagem e ao que parece, decidiram que seria necessário desde então, mudar o perfil da torcida nos estádios. Uma atitude burra, além de uma violência cultural e social.
Quando o Ronaldo anunciou sua chegada, ele falou uma frase que virou clichê. Naquela ocasião foi empolgante, mas hoje poucas frases me irritam tanto. Disse ele que havia chegado "mais um louco do bando de loucos".
Ao que parece, eles estão confundindo as coisas. Ser louco é diferente de ser idiota!
A nossa loucura é aquela do "Maluco Beleza" cantada pelo Raul Seixas, misturando a maluques com a lucidez, na loucura real.
É se entregar de corpo, alma e espírito, mas permanecer vigilante e atento.
A boa loucura exige uma dose de irreverência e insubordinação. Não esta submissão e apoio cego, surdo e mudo que eles desejam.
Agora, o Mikey é do bando de loucos, os Simpsons são do bando de loucos, o Bono Vox é do bando de loucos. Só os nossos Zés da Silva que ficaram de fora.
O louco de hoje, bem-vindo como torcedor, é na verdade um alienado. Que torce, paga caro o ingresso e depois vai pra casa cuidar da vida.
O Corinthians não pode abrir mão de sua energia mobilizadora. De seu potencial de comunicação com a sociedade. O Corinthians é patrimônio histórico, humano e cultural do povo brasileiro.
Não pode haver Corinthians sem comunhão.
Espero mesmo que o próximo presidente resgate a ligação com a torcida e perceba que o Corinthians é uma grande comunidade.
Não dá pra dirigir o clube sem entender a importância da conexão com o espírito Corinthiano. Que não há vitória duradoura sem nosso inconsciente e consciente coletivo.
Quanto às demais estruturas políticas do futebol, estão transformando o esporte em algo muito distante da vida da gente. Roubando justamente o que ele tem de genuíno e que o diferencia dos demais desportos. O humanismo, a conexão com a vida social da nossa gente e a alma dos torcedores. 
Certamente, vocês vão ficar mais ricos do que já estão. Mas vão perder um público que não se interessa por este espetáculo tão broxante

Feliz aniversário Corinthians

- Setembro de 2014


Feliz Aniversário, Corinthians.
Um momento meio esquisitão da nossa história.
Porque para a nossa gente, o Corinthians não pode ser o Corinthians sem que a gente consiga se reconhecer nele.
Tantas coisas mudaram de maneira tão rápida.
Ainda nos sentimos meio sem jeito na nova casa rica, ainda meio gelada.
Dá um pouco de saudade do nosso cafofo. Onde fazíamos amor em sua plenitude. Comíamos arroz, feijão e fome, mas éramos muito felizes.
Sim, estamos gratos à Deus pela casa nova tão bonita.
Foi muito bom ganhar estes campeonatos incríveis. Viajar até o Japão para quem não tinha passaporte, mas sempre teve identidade, foi inesquecível.
Acontece que essa atmosfera de "novo rico" não combina conosco.
Desde sempre aprendemos a não dar o passo maior do que a perna. Quem sempre foi pobre, descobre muito rápido que não pode ser inconsequente.
Valorizamos a simplicidade. O olho no olho, o abraço apertado e não precisamos de muito para ser felizes.
Na boa, nem sabemos como ser esnobe. Somos meio caipiras e desajeitados. Somos todos um pouco Adoniran Barbosa.
Mas eu sei que este estranhamento logo vai passar.
Neste momento, percebe-se de maneira tão evidente que o Corinthians não está em seus edifícios, em seus troféus, em seus jogadores, nem no nome de ninguém. O Corinthians está no espírito do nosso povo. O nosso coringão paira no ar.
O Corinthians é energia coletiva. É palpável e ao mesmo tempo sensível. Tem gosto, tem cheiro. É uma coleção de quadros e imagens pregadas em tudo quanto é canto da nossa memória.
O Corinthians está na alma e corre nas veias da nossa gente.
E dá uma alegria danada perceber que este povo, de uma maneira muito especial, já fez a sua escolha. Quer um Corinthians popular. Não quer um clube que escape aos nossos dedos. Que deixe de representar aquilo que somos.
Vai tudo ficar bem. Já está bem. Logo passará este estranhamento.
Esta nova realidade não subiu na cabeça de nenhum corinthiano. Este é o primeiro passo para vencer sempre na bola e na vida. É isso que nós somos e não vamos mudar. A casa é bonita, mas queremos os nossos camaradas juntos de nós, curtindo este samba e comendo na mesma mesa.
O Corinthians é o nosso espírito imortal.
Parabéns, Corinthians que aprendemos a amar


Sem o povão o itaquera não é o estádio do timão

- Maio de 2014


Nunca vi uma reação tão indignada da torcida Corinthiana quanto esta em relação ao preços dos ingressos no estádio novo em Itaquera.
Foi um tapa na cara. Uma verdadeira traição. Conseguiram transformar um momento que seria unicamente de celebração e festa numa amargura sem tamanho.
Se nem a classe média consegue pagar preços tão abusivos, imaginem o nosso povo humilde que carregou esse clube nas costas desde sempre.
A ganância dos "donos do estádio" impede que eles tenham uma visão comercial estratégica adequada.
A febre do ouro faz com que se mate a galinha dos ovos.
Vejo muitos Corinthianos dizendo que não vão mais ao estádio ver o Timão. E da pra ter uma idéia do que isso significa? Da pra perceber a gravidade dessa atitude?
A euforia pode ser rapidamente substituída pela revolta e ressentimento.
Para o Corinthiano ficar sem ver o Corinthians é equivalente a faltar água, arroz, feijão e até mesmo o ar. É uma agressão sem limites.
Os nossos "executivos" estão na ilha da fantasia do poder e não conseguem entender o tamanho do Corinthians. Estão criando uma crise social e política com consequências ainda desconhecidas.
O curioso é que eles falam com tanta pompa em "futebol negócio", mas exigem este choque de capitalismo justamente da parte mais fraca que é o torcedor. No caso deles, dirigentes, a eficiência não parece ser a mesma. Contratam um jogador meia boca por 40 milhões para reforçar o rival, pagando o salário do indivíduo. 
Isso é futebol negócio? O Presidente Mario Gobbi antes de assumir esbravejou frente aos microfones chamando o torcedor de idiota por não perceber a natureza mercantil do futebol.
Ora, se a lógica do mercado fosse aplicada a um executivo que investe 40 milhões para reforçar o concorrente pagando ainda seus dividendos, este profissional já estaria no olho da rua!
Esfolar o torcedor e roubar o seu sonho nada mais é do que uma violência social!
Estes senhores permanecem sem entender o que o Corinthians representa. Os propósitos que ele atende para muito além do futebol.
Afastar o Corinthians de seu povo e a cultura de freqüentar o estádio nada mais é do que roubar uma parte de nós mesmos.
O Corinthians é uma cicatriz na nossa alma.
Insensíveis e gananciosos. Vocês não entendem nada do que é o Corinthians, do que é a nossa cultura e muito menos de negócios. 
Roubar do Corinthiano a cultura de freqüentar o estádio é jogar fora o nosso maior patrimônio. O que nos torna diferentes e gigantescos. A experiência de ser Corinthiano é fundamental e alimenta todos os outros interesses.
Sem o povão lá dentro, este jamais será o estádio do Corinthians.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Morte de Dona Marisa e a Erupção de Ódio no Brasil

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Quem aguenta essa erupção de ódio no Brasil?

Essa gente hipócrita, mentirosa e covarde, com a cara lavada fingindo ser Deus.

Decidindo com a boca suja de maldizeres quem merece viver e quem merece morrer. Quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Quanta arrogância!

Comemorando velório, linchamento e tortura.

Quem são vocês? Esse Deus que vocês dizem acreditar certamente choraria com essa existência tão tacanha e violenta.

Gente mal amada! A verdade é essa. Mal amada.

É desamor. Falta amor. Falta realização. Poços de frustrações cavados embaixo dessa terra de satisfações descartáveis e instantâneas.

Gente que baba ódio pelo canto da boca. Que despeja nos outros o ressentimento pela própria vida amarga. Gente apegada num monte de bosta que a propaganda repete ser importante.

Gente que tem o hálito de urubu porque carrega no fígado o chorume. Porque tem a língua suja e a ponta dos dedos podres de tanto teclar violência.

Até quando vamos nessa toada?

Já conseguiram tudo. Já deram o golpe. Já têm o Brasil de volta. O Brasil obscenamente de joelhos. Já estão sendo restauradas as velhas hierarquias. Quem manda e quem obedece. Já têm milhões de pessoas fazendo fila no quarteirão para aceitar o salário que der. Pronto! Já estão todos humilhados e chorando aceitando qualquer emprego. Sim, aqueles que vocês reclamavam por não estarem mais dispostos a servir sob qualquer condição. Aqueles que eram os vagabundos que não queriam trabalhar. Aqueles que ocupavam desagradavelmente seus lugares preferidos. Pronto! Ninguém mais precisa pagar o pato. Essa massa de trabalhadores está agora contribuindo patrioticamente com a baixa da inflação, pois seu "poder de compra" não causa mais "pressão inflacionária". Agora é tudo de vocês. O que mais vocês querem?

É preciso desejar a morte do próximo?

Quem aguenta tanto ódio?

A Dona Marisa não aguentou. Trabalhadora humilde, certamente estará num lugar melhor do que esse.

Depois de tanta luta, de fazer tanto pelo Brasil, estava na iminência de ser encarcerada. Mesmo sem ser política. Mesmo vivendo uma vida simples.

Assim como Eva Perón jamais foi perdoada pela oligarquia argentina por ter sido pobre, por ter sido uma filha não reconhecida "fora do casamento" da santa igreja, por ter se aventurado sozinha na cidade grande, por ter sido atriz, quando isso era "coisa de puta" e, principalmente, por Evita ter vencido na vida e jamais ter mudado de lado. Por ter sido fiel a sua origem social. Evita não suportou tanta violência. Embora tenha lutado sempre com valentia, seu corpo sentiu os efeitos do ódio de classes. Nos últimos dias de sua vida, os muros de sua residência amanheceram pixados com a frase: "Viva o Câncer!".

Da mesma forma, as oligarquias brasileiras e certa parte da classe média servil, cafona e burra que se esfrega gostosamente no opressor e esmaga os mais fracos, jamais perdoaram essa "lavadeira" de São Bernardo do Campo por ter superado todos os obstáculos e estado ao lado de seu marido, retirante nordestino, no posto mais alto da nação, sendo o um dos maiores presidentes da nossa história. Jamais aceitariam a Dona Marisa vencer.

Aceitam de bom grado a bela, recatada e do lar. Ainda que seja tudo uma mentira, porém, uma mentira ideal. Pois é muito mais fácil se projetar como Marcela do que se reconhecer como Marisa. Pior, se sentir menor que a Dona Marisa é o terror para muitas dondocas, ou metidas a dondocas e também aos "dondocos".

E a Dona Marisa não se curvou. Foi ela mesma. "Simprona de tudo". Não caiu de joelhos, como alguns gostariam, em reverência à "chiqueza" dessa high society banal.

Como Dona Marisa ousou desfazer de tudo isso que muitos acreditam ser tão importante?

Passar pelo posto de primeira dama e depois voltar para o apê em São Bernardo, ir fazer piquenique com o marido carregando o isopor na cabeça e descolar um pedalinho pra brincar com o seu neto em Atibaia.

Sim, nessa sociedade tão hierarquizada, vertical e baseada no prestígio pessoal é imperdoável. Dona Marisa mesmo sem fazer um discurso sequer, subverteu o psicológico dessa nação. Cavucou em tudo aquilo que há de mais tacanho e feio no Brasil.

Não por acaso a erupção de ódio dessa gente careta e covarde.

Essa gente que aceita de bom grado a miséria, a injustiça e, permitam-me dizer, aceita sim de bom grado a corrupção, desde que ela seja praticada pelos velhos senhores, desde que venha de quem está em cima da pirâmide social. A Lava Jato prova isso a cada dia.

À propósito, não posso terminar esse texto sem dizer uma frase em homenagem à Dona Marisa:



ENFIEM SUAS PANELAS NO CU!

sábado, 26 de novembro de 2016

A Grande Aventura de Fidel Castro

Quem aprendeu a amar o Comandante Fidel Castro sente no peito a perda de um pai.
Fidel não era apenas um político, um chefe militar, um presidente. Fidel foi um exemplo de homem. Um revolucionário. Fidel foi também um líder existencial. Um camarada. Alguém que nos faz refletir a cada dia o que queremos como indivíduos. Que podemos ser muito mais do que uma vidinha jogada no universo. Que podemos ser homens e mulheres protagonistas do nosso tempo e com condições de transformar o mundo, mover a história, fazer muito mais do que aceitar as injustiças como algo naturalizado e comum.
É difícil para muitos entender o amor do povo por Fidel. Ainda mais nos dias atuais. Vivemos uma era de culto ao individualismo. De idolatria à satisfação pessoal e íntima. Ao consumo. Como entender o amor por Fidel se a cada dia a humanidade é levada a odiar o público e a amar o privado? Como entender o amor por Fidel nesses dias em que a atividade política é criminalizada? Em que o mundo idolatra empresários, homens de mercado e até fazem deles seus líderes governamentais?
Eu aprendi a amar o Fidel.
Desde jovem. Lia as histórias da Revolução Cubana e me pareciam fantásticas. Sei que não era um adolescente comum. Não me encantaram os super heróis. Eu gostava do Fidel e do Che. Não sonhava em conhecer a Disney. Sonhei durante anos conhecer Cuba, visitar Havana, como depois tive a sorte de fazer em algumas oportunidades.
Honestamente, eu não culpo quem não entende esse amor pelo Fidel. Não culpo, tampouco, quem odeia o Fidel.
São décadas e mais décadas de lixo midiático. De ódio sendo disseminado contra figura de Fidel.
Fidel escapou de mais de 600 atentados contra sua vida. A humanidade não pode escapar da violência do imperialismo. Violência militar, política e midiática, deformando visões de mundo e corrompendo a história.
Fidel também foi odiado porque a coragem de uns revela a covardia de outros e esta coragem parece ser insuportável e subversiva. Quem fez a escolha pela obediência detesta os rebeldes. Quem resolveu aceitar as humilhações cotidianas e se submeteu a tudo esperando a promessa de um bem-estar que só se realiza na hora dos calmantes precisa de alguma maneira se convencer que sua vida valeu à pena. Alguns precisam odiar Fidel para comprovar a si mesmos que sua escolha não foi tão ruim e que sua vida não foi desnecessariamente ordinária. Que sua crença no progresso pessoal não foi em vão. Que aceitar os assédios, as injustiças, os choros cheios de soluço dentro do banheiro também valeram à pena.
Muitas pessoas precisam odiar o Fidel para suportarem a si mesmas. Precisam olhar para Cuba, repleta de carências e precariedades, para convenceram a si mesmos de que vivem repletos de bem-estar.
Claro que Cuba precisa ser odiada. É evidente que todas as dificuldades que vive o povo cubano merecem destaques e manchetes escandalosas. As pessoas precisam do flagelo de Cuba para aceitar com algum conforto nossas misérias cotidianas, nossos milhares de desabrigados, nossas crianças de rua, nossos irmãos tendo que comer lixo, nossas cadeias lotadas, a criminalidade, as pessoas sendo baleadas, nossos jovens envenenados pelo capitalismo, entorpecidos pelo consumismo, a polícia repressora, nossa democracia de faxada.
Como se as carências de Cuba fossem resultado apenas de seus erros internos e não houvesse o papel do inimigo que desde o primeiro dia da Revolução Cubana fez de tudo para destruir o país e desconstruir essa experiência como alternativa para os povos.
Sim, os cubanos gostariam de ter o seu tênis Nike. As meninas gostariam de usar Natura. Como convencer uma mulher do século XXI que ela não precisa de xampu e condicionador? Os meninos gostariam de brincar com seu PlayStation.
Mas o povo cubano conseguiu algo que é muito difícil de possuir. Esse povo tem dignidade! Esse é um povo lindo, com um brilho no olhar que eu temo estarmos nós, povo brasileiro e irmão de alma dos cubanos, perdendo para sempre. Dignidade não se compra no supermercado. São crianças na escola, acolhidas, bem educadas. Quem fica doente não é tratado como bicho. São casas simples, sem luxo nenhum, mas muito dignas. É cada pessoa tendo direito a ter seu lugar no mundo. Sabe o que é você conversar com um jovem que não está infeliz? Que não parece apavorado, envenenado e com medo? Essa é a imagem que eu guardo de Cuba.
Fidel foi um dos maiores homens da história! Para sempre será lembrado.
Sabem qual foi a maior aventura de Fidel?
Não foi pegar em armas para chegar ao poder.
Não foi enfrentar os Estados Unidos durante meio século e sair vencedor.
Sabe o que torna a Revolução Cubana diferente de todas as outras que o mundo já conheceu?
A maior aventura de Fidel foi tentar construir o HOMEM NOVO. Produzir um novo tipo de indivíduo que fosse solidário, verdadeiro, camarada, desapegado das coisas, voluntário, altruísta, generoso, não invejoso, firme, forte, correto, doce, sem medo e com capacidade de manifestar seu amor pela humanidade. De lutar contra as injustiças e, caso necessário, oferecer sua vida pela liberdade de seu povo.
A construção do homem novo. Essa foi a grande e linda aventura. Foi um projeto de Estado. Uma experiência sem igual na humanidade que ganhou um significado mais do que especial como acontecimento nesse país tropical tão lindo. Um lugar para a humanidade se amar. Um espaço de liberdade.
Essa aventura valeu muito à pena!
Ainda que a humanidade tenha se espatifado em alguma esquina da história. Ainda que tenhamos sido definitivamente envenenados. Ainda que estejamos reduzidos a consumidores. Ainda que a humanidade tenha rodado tanto tempo pra terminar como compradores de coisas. Ainda que sejamos irremediavelmente egoístas e individualistas.
Mesmo assim a aventura de Fidel Castro foi linda e valeu muito à pena.
A presença física de Fidel chega ao fim. Mas seu exemplo, seu pensamento e principalmente seus grandes atos acompanharão a humanidade para sempre. De alguma forma nosso Comandante en Jefe, estará sempre conosco.
Viva Fidel!
Hasta siempre Comandante!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Nós somos!


Nós somos tudo aquilo que vocês mais detestam.
Somos aquilo que deixa vocês com medo.
Porque vocês não entendem, não sabem ao certo como enxergamos o mundo.
Não conseguem prever como pensamos.
Isso os apavora.
Não conseguem nos controlar, porque sequer imaginam o nosso próximo passo.
Somos imprevisíveis porque não fazemos parte do mundo de vocês.
Somos mais ameaçadores para os poderosos do que qualquer organização política.
Nós somos a ideia que não tem dono. Somos o pileque que extravasa. Somos o que se fala pelas esquinas. Somos o que anda na cabeça do povão.
Somos o risco que vale à pena. Somos a consciência de classe possível nesse mundo de alienação. Somos o inconsciente coletivo. Somos o empoderamento.
Nós somos a voz de quem não tem voz. Somos um movimento social com trinta milhões de líderes.
Nós somos a anticolonização. Nós somos o clube dos refugiados. Nós somos quem sofreu na seca, nas guerras, no tronco.
Nós somos uma Mesquita que foi bombardeada.
Nós somos o judeu esmagado no campo de concentração.
Nós somos o negro escravizado. Amontoados num navio negreiro ou numa cela de cadeia.
Nós somos a mulher que foi espancada pelo marido.
Somos o pobre espremido no transporte público.
Nós somos a reputação destruída pela mídia bandida.
Nós somos o pai de família que ficou desempregado.
E vocês nos querem com medo. Nos querem humilhados.
Vocês nos querem sem condições de acreditar em nós mesmos.
Por isso nossa vitória ofende tanto vocês! Por isso as nossas glórias acabam por ser desmerecidas.
Por isso a nossa casa "foi dada de presente", num suposto conluio qualquer.
Caras de pau! Justo vocês que roubaram um país inteiro! Que tomaram todas as nossas riquezas e viraram donos de quase tudo aquilo que seria propriedade de todos. Que geraram milhões de miseráveis. Que num país tão grande, com tanta terra, deixaram milhões pessoas vivendo nas ruas ou nos barrancos.
Hipócritas!
Vocês querem, mas não conseguem, dobrar nossa coluna.
Por isso nossos irmãos são torturados por genocidas com credencial para exterminar o povo. Fazem isso todos os dias. No estádio ou na favela. Rastejam vergonhosamente para os poderosos e pisam do pescoço de quem é pobre. Capitães do Mato!
Tudo isso, sob o sorriso cúmplice de quem se faz de santo, mas vive com ódio no coração. De quem diz ser "de família", mas despreza a mãe pobre que chora a perda de um filho. Que ajoelha em nome de Deus, mas é incapaz de sentir amor pelo próximo. Que reza apenas pela própria conta bancária.
Sim, nós somos aqueles que "mereceram apanhar". Somos da turma onde "não tem santo". Somos aquela parte da sociedade que ninguém se importa quando o morro desliza. Somos a senhora negra que não é recolhida pela ambulância. Somos quem não merece advogado. Somos a tragédia que vira estatística. Somos quem "tem mais é que morrer".
Quem conhece nossa história sabe que já nascemos estigmatizados. Foi assim desde sempre.
O desprezo de vocês, apenas nos torna mais fortes.
O ódio de vocês nos faz cada dia mais unidos como irmãos. Como filhos de Deus.
Nossos instrumentos de solidariedade são indestrutíveis.
Sim, nós somos a Fiel Torcida.
Ninguém vai render o nosso amor pelo Corinthians, simplesmente porque nós somos tudo isso que já foi dito, até mesmo quando não sabemos ao certo que somos.
Porque nós não somos matéria. Não somos um corpo físico torturado no Maracanã, nem o concreto do estádio de Itaquera.
Nós pairamos no ar. Nós somos a presença de espírito. Vocês nunca vão nos destruir porque habitamos nas mentes rebeldes e nos sonhos encantados de muitos outros que irão se levantar em seu nome, Sport Club Corinthians Paulista. A nossa casa, a nossa pátria, a nossa família, o nosso mundo.
A nossa vida!
Vai Corinthians!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Golpe! Foi Golpe!



GOLPE! Foi GOLPE!
Sinto um gosto amargo na garganta. Uma tristeza pelo Brasil. Teremos que passar por mais isso.
Quero agradecer ao Presidente Lula e a Presidenta Dilma por tudo que fizeram pelo Brasil. Redução da miséria extrema. Derrubar pela metade a mortalidade infantil. Só isso já seria o suficiente. São vidas humanas que foram resgatadas.
Mas não foi só isso. O Brasil ganhou dignidade. Passou de uma nação corcunda e submissa para uma potência emergente. Que se apresentou ao mundo com dignidade. Que liderou um grande número de países que sonham com um mundo mais justo e de paz.
Essa nação, ainda escravocrata, por algum momento olhou de verdade para os mais pobres. Fez a opção por aqueles que nunca tiveram vez nem voz. Que foram excluídos e esmagados.
Ainda que para isso tenha sido feito a escolha (certa ou errada - a história dirá) de negociar uma trégua com esta elite atrasada. Essa escolha de costurar alianças com certa parte de elite que, esperava-se capaz de assumir um pacto pelo desenvolvimento do Brasil e passasse a aceitar a inclusão social como condição necessária para que todos pudessem crescer..
Ainda que os interesses das elites tenham sido preservados, no que se refere aos grandes lucros. Ainda que o crescimento econômico e a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo tenham garantido ganhos imensos. Que os bancos só tenham aumentado seus lucros indecentes. Nada disso evitou que essa trégua acabasse.
Nada menos que um governo absolutamente servil, essa elite aceita. Nada menos que um governo que se pareça com ela. Nada menos que um espelho desta elite suja e cruel se tolera no Palácio do Planalto. Não tem arrego! Não tem acordo!
Voltemos para os anos 90, pois. Ainda que nosso país se veja atrofiado, desmanchado. Ainda que as indústrias fechem as portas que ainda restam abertas. Sim, ainda que os industriais do "Pato Amarelo" sejam apunhalados pelo novo governo, gozarão com alegria. Ainda que a classe média branca dos grandes centros urbanos brasileiros percam seus direitos, seus empregos, sua possibilidade de aposentadoria, seus apartamentos com varandas gourmet. Ainda que o Brasil entregue seu subsolo, sua chance de um futuro melhor, ainda que o SUS seja desmontado. Nada disso roubará o sorriso dessa gente tola em servir aos velhos senhores e não perder o privilégio, o status social e o protagonismo tão reivindicado desde que a "escória petista" assumiu o poder.
Obrigado, Presidente Lula. Não esquecerei jamais daquela foto em que um menino negro e pobre toca sua barba. E o senhor se deixa tocar. Carregado nos braços pelo pai, o menino se reconhece no presidente. Pode tocá-lo. Pode também sonhar. Saber que é gente. Que pode chegar lá. Que não nasceu apenas para ser escravo. Obrigado, Presidente Lula. Minha vida efetivamente mudou muito. Minha vida e da minha família.
Jamais perdoariam o que o senhor fez de melhor. Jamais perdoariam a eleição de Dilma. Uma guerrilheira que foi a candidata vencedora dos mais pobres por duas vezes. Uma mlher honesta e honrada que não se sobrou diante dos ladrões e aves de rapina. Jamais! Jamais aceitarão que um menino pobre possa sonhar em ser presidente. Querem destruir a sua imagem, justamente porque tentam apagar o que o senhor significa. Não conseguirão! Por muitos anos o senhor se manterá como um símbolo da luta dos mais pobres por dignidade.
Por fim, esse país tão lindo e maravilhoso não merecia estar tão perto dos Estados Unidos da América. Daqui cinquenta anos (ou menos), talvez tenhamos outros relatórios nos dando conta de como esse golpe foi costurado. Talvez tenhamos outros tantos hipócritas pedidos de desculpas dos órgãos de imprensa por apoiar mais uma vez um golpe de Estado.
É duro entrar nessa década sonhando com o futuro de um Brasil mais justo, sem fome e miséria, com desenvolvimento econômico e social e acordar nos dando conta que voltamos a ser uma rebubliqueta de bananas, com quarteladas, tapetões, presepadas e viradas de mesa. Com 54 milhões de votos jogados no lixo.
Da nossa parte, mais valem as lágrimas da derrota por ter lutado por aquilo que acreditamos, do que a satisfação tola de quem sorri diante da tragédia de um país que mais uma vez perdeu a chance de resgatar as vidas humanas que fingimos não ver, sofrendo de fome, miséria e abandono, sem um lugar digno para morar e sem esperança de se sentirem de fato irmãos brasileiros.