sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pane no novo sistema de recargas do Bilhete Único. Esclarecimentos do Metrô

Os usuários de ônibus e Metrô já se habituaram às longas filas para recarga do Bilhete Único.
Desde o início da gestão Kassab, os passageiros não podem validar seus bilhetes nas catracas dos ônibus, ainda que em todos eles haja um cobrador, muitas vezes sem função alguma durante a viagem.
A proibição da recarga do Bilhete na catraca é uma crueldade com o usuário que tem de enfrentar longas filas para recarga.
Alguns passageiros, muitas vezes, não têm dinheiro para fazer uma recarga de valores altos. Dispõe apenas dos três reais para fazer a viagem, não sendo necessária a permanência na fila das lotéricas e postos autorizados.
Se não bastasse o valor escorchante do transporte público em São Paulo, se comparado à sua qualidade defasada e superada, o trabalhador ainda tem de enfrentar constrangimentos e a falta de sensibilidade do melindroso chefe do executivo municipal.
Nos últimos dias, foram colocados em algumas estações do Metrô, máquinas de recarga automática de Bilhete Único.
Mas para desgosto do usuário estas máquinas simplesmente não funcionam.
No dia 14 de setembro (quarta-feira) percorri as estações Clínicas, Ana Rosa, Santos-Imigrantes e Tucuruvi. Em nenhuma delas o equipamento funcionava.
A máquina tem anotado um número de telefone para reclamações.
Ao telefonar para o número, fui atendido pela empresa Serviços Digitais. A empresa não tem assessoria de imprensa e sequer um site operante http://www.servicosdigitais.com.br/. Não havia nenhum funcionário em condições de esclarecer sobre as falhas no sistema e a atendente disse que poderia apenas registrar minha reclamação.
Nunca a questão da mobilidade urbana esteve tão em foco como nos dias de hoje. Parece que enfim chegamos ao consenso de que um transporte público de qualidade é a única saída para superarmos o caos no trânsito de São Paulo. Este tema esteve negligenciado durante décadas e a população espera ansiosamente a expansão de linhas e estações do Metrô.
Como convencer o cidadão de São Paulo a deixar o carro em casa e sair de ônibus e metrô se o sistema não consegue dar conta de situações que deveriam ser primordiais?
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Enviei algumas perguntas para o Metrô. Seu departamento de imprensa muito gentilmente respondeu as questões levantadas com rapidez.
Segue a breve entrevista:
Blog - Muitos usuários têm enviado reclamações sobre o novo sistema de recarga do Bilhete Único. Ontem percorri algumas estações: Clínicas, Santos-Imigrantes, Ana Rosa e Tucuruvi. No espaço de tempo das 18h até as 22h nenhuma das estações tinha sistema operante. Aliás, no Tucuruvi sequer o posto de atendimento (cabine com funcionário) tinha sistema operante. Na estação Clínicas durante toda a semana o equipamento de recarga está danificado. Existe alguma previsão para que o serviço funcione regularmente?
R: Sim. O Metrô esclarece que o processo de transição dos sistemas de recarga está em curso nas suas estações, cujo prazo para total implantação se estenderá até o final de setembro. O Metrô está tomando todas as providências junto às empresas contratadas para sanar as falhas pontuais o mais rápido possível. Ajustes ainda serão feitos com a finalidade de aprimorar o desempenho dos equipamentos nesses primeiros dias de transição.
Blog - Os novos pontos de atendimento substituirão os existentes hoje, com funcionários contratados pela empresa prestadora?
R: Nas 62 estações do sistema metroviário, haverá aumento dos postos assistidos (com atendentes) de carga e recarga do Bilhete Único (de 70 para 80), das máquinas de atendimento automático (de 23 para 182) e dos equipamentos de recarga automática de Vale-Transporte e consulta de saldos (de 254 para 353). Com a mudança, o número de empresas responsáveis por esses serviços passa de um para quatro. Isso permitirá a ampliação dos canais de acesso para carga e recarga dos cartões de Bilhete Único, garantindo a melhoria da qualidade do serviço, com a redução de filas.
Blog - O Bilhete Único permite a utilização do sistema de Metrô, mas também dos ônibus do município de São Paulo. A empresa Serviços Digitais, que ainda não tem site operante (http://www.servicosdigitais.com.br/) presta atendimento nas estações do metrô. Ela é contratada pela prefeitura municipal, pelo Metrô ou para outra instituição?
R: A empresa citada é uma das quatro já contratadas. As outras três são: Perto, Ponto Certo e Prodata.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rock in Rio ou Jingle in Rio?

O primeiro Rock in Rio foi um momento especial para a cultura brasileira.
Ocorrido nos últimos dias da ditadura militar (1964-1985), transmitia para os jovens do Brasil a esperança de dias melhores.
O sentimento mais prazeroso da juventude é a oportunidade de vencer, conquistar, descobrir e eventualmente perder e se esborrachar no chão. Mas sempre com liberdade de escolha e algum sentido de protagonismo social.
O Rock and Roll tocado para milhares de jovens concentrados em um grande espaço público pode parecer coisa banal hoje em dia, mas ao final do governo militar era uma conquista deliciosamente grande. Poder gritar, xingar, mandar os milicos ao escambau e saber que no outro dia teríamos um novo governo trazia a sensação de que a história estaria nas mãos de cada um e que de um jeito ou de outro seríamos felizes.
O Brasil perdeu muito, mas temos que admitir que muitas coisas estão melhores. Ainda longe do que gostaríamos, mas vivemos em país melhor.
Os anos oitenta ficaram conhecidos como a “década perdida”, sob o ponto de vista econômico no Brasil.
A década de noventa também ficou marcada pelos baixos índices de crescimento econômico e alto desemprego, frutos da implantação do modelo neoliberal.
O crescimento econômico dos últimos anos – que evidentemente não se reflete em um ganho para todos os cidadãos – foi aguardado por mais de duas décadas e nos permite visualizar um momento de marcante mobilidade social.
O Rock in Rio 2011 vem nos mostrar como estamos entorpecidos por este crescimento econômico baseado no poder de consumo dos indivíduos.
É evidente que este crescimento continua sendo desejável, mas o poder e o desejo de compra são asfixiantes quando subordinam a cultura, a educação, o cumprimento das leis e o respeito pelo próximo.

A personagem Lady Kate do humorístico Zorra Total exprime bem este momento particularmente interessante com aquela frase engraçadinha: “TO PAGANDO”!
Existem mais de uma centena de produtos licenciados com a marca do Rock in Rio. E não são somente camisetas e chaveiros. Agora vemos celulares, cartões de crédito e automóveis com a marca do festival.
Tantos produtos sendo vendidos simultaneamente trazem a sensação de que ao invés de rock ouviremos Jingles in Rio.
A marca do festival torna-se mais valiosa do que as próprias atrações dos palcos. Ou seja, as pessoas parecem estar mais dispostas a consumir a experiência do festival do que contemplarem a música que estará sendo tocada.
Os artistas mais famosos do mundo têm vindo constantemente tocar no Brasil. Não é pra menos, pesquisas comprovam que o brasileiro é o povo que mais paga por shows no mundo todo, até porque Europa e Estados Unidos estão em crise.
Os valores são absurdos, mas ainda assim é preciso fazer plantão em frente ao computador para comprar algum ingresso vendido na internet. Em poucas horas eles desaparecem.



Este “conforto” contraria o próprio espírito do rock, mas não contraria o espírito da grana.
As pessoas esperam muito mais do que rock, elas querem pirotecnia. Luz, fogos, dança, ação.
O U2 não participa do Rock in Rio, mas em seu show, quando se ouve a canção “Sunday Blody Sunday” pouco importa o massacre inglês contra os católicos irlandeses. O negócio é gritar UHUUU e esperar os novos efeitos especiais.
Eu não acho que em um show de Rock deva haver um minuto de silêncio em respeito à nenhuma chacina, também não sou contra ninguém se divertir. Apenas provoco os leitores à reflexão.
Aliás, convido os leitores a refletirem sobre a não reflexão. Os indivíduos não podem pensar porque senão ficam tristes.  Não adianta a música vir carregada de intenção. É necessária uma parafernália capaz de distrair o expectador ao ponto de impedir que ele pense na sua própria razão de existência. Deve-se evitar a dor a todo custo. Então tira o pé do chão, levanta a mãozinha, bate na palma da mão e quem tá feliz dá gritoooooooo!


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Miss Universo: Escolha de Miss Angola desencadeia enxurrada de manifestações racistas nas redes sociais



A escolha da angolana Leila Lopes como Miss Universo desencadeou uma enxurrada de manifestações racistas que escorrem pelo esgoto das redes sociais.
Tais manifestações revelam o preconceito racial e o ódio pelo espaço que os negros vêm conquistando às duras penas na nossa sociedade.
A pior de todas as piadinhas aproveita a ocasião para criticar o sistema de cotas nas universidades.
Este continua sendo o país do camarote VIP. Qualquer sopro de igualdade causa absoluto incômodo.
Ouve-se muito pelos cantos que o Estado não deveria interferir tanto na vida nacional, e que o próprio mercado se encarregaria de equilibrar as distorções.
Mas com manifestações pútridas como as piadinhas contra a Miss Angola temos a certeza que ainda é necessário um aparelho de proteção estatal para corrigir as injustiças e promover a igualdade, mesmo que esta esteja a contragosto de boa parte (quero dizer a pior parte) da população.
Curioso é ver que a fatia privilegiada da sociedade que se mostra indignada com os programas sociais de transferência de renda ou de acesso à universidade jamais se opôs aos trilhões de dólares dos governos mundo afora destinados para cobrir o rombo do mercado financeiro e para pagar os juros dos banqueiros.
Triste saber que a internet,  potencialmente uma ferramenta de difusão cultural alternativa, tornar-se veículo de manifestações racistas e infelizes.
Aliás, o tempo gasto à frente do computador deve ter afetado os sentidos desta gente estúpida. Além de racistas imundos, este pessoal não entende nada de mulher.
A Miss Angola é lindíssima e representa uma gente maravilhosa que ama o Brasil.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O 11 de Setembro e a América do Sul



Os países da América do Sul, historicamente, viveram processos políticos interligados.
Até porque as antigas colônias européias sempre tiveram a mercê da agenda política e transformações sócias das metrópoles.
No século XX, com a ascensão dos EUA como grande potência, a América do Sul teve seus processos políticos subordinados aos interesses norte-americanos. A teoria Monroe, desde o século XIX expressava um proclamado “destino manifesto” dos EUA como protetores dos países americanos, articulando a idéia de “América para os americanos”.
Declarações de independência, governos populistas, processos de industrialização tardia, ditaduras militares, abertura democrática e governos neoliberais. Estes processos ocorreram de maneira concomitante nos países sul-americanos.
Um dos períodos mais duros de nossa história foi durante a Guerra Fria. Na disputa entre Estados Unidos e União Soviética pela hegemonia global, os países ao sul do continente não puderam optar por nenhuma alternativa. Ditaduras militares foram apoiadas pelos EUA como forma de controlar a região.

Nesta semana, o mundo relembra o ataque às Torres Gêmeas e ao Pentágono em 11 de Setembro de 2001.
Embora este período de dez anos seja ainda muito pequeno para uma compreensão histórica mais ampla, podemos traçar brevemente algumas transformações ocorridas na América do Sul após o ataque terrorista contra os Estados Unidos.
Na virada do século, a grande ambição dos EUA para a América Latina era a organização da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). A engenharia política norte-americana visava persuadir os países do continente para adesão ao novo bloco.
A década de noventa estava marcada pela consolidação dos mercados comuns continentais.  No caso dos países latino-americanos, a grande dificuldade se dava pelo fato de que uma área de livre comércio inevitavelmente prejudicaria os países com menor competitividade. Disputar mercado com os produtos industrializados dos EUA seria praticamente impossível para os países concorrentes. Enquanto os EUA contavam com linhas de financiamento, juros baixos, investimento em pesquisa e parque industrial já desenvolvido, as economias do sul viviam o panorama inverso, com uma política industrial precária e sistemas econômicos caóticos. Aos países sul-americanos estaria reservada a missão de exportar produtos primários para os EUA e ser “cliente preferencial” na compra de seus manufaturados, que geram ao produtor muito mais empregos e desenvolvimento econômico e social.

Houve muita resistência interna nos países do sul contra a ALCA. Havia uma saturação do modelo neoliberal e países como Brasil e Argentina viviam crises sem precedentes em suas economias com recessão econômica e elevados índices de desemprego.
Após o atentado de 2001, os Estados Unidos fixou sua pauta política internacional no combate ao “eixo do mal”. George W. Bush priorizou desmantelar os Estados que apoiariam as atividades de grupos terroristas.
Duas guerras foram eclodidas. Afeganistão e Iraque.
O governo Bush “passou por cima” do Conselho de Segurança da ONU. Os argumentos que se confirmaram frágeis de que o Iraque abrigaria armas de destruição em massa e a truculência com que os EUA bombardearam seus inimigos gerou um sentimento de rejeição nos países sul americanos.
A decadência econômica do sistema neoliberal, “vendido” pelo Consenso de Washington como a salvação dos latino-americanos, deixava milhões de desempregados nas cidades da América do Sul.
Era como se despertasse um sentimento de que os sul-americanos deveriam enfim divorciar seus interesses dos EUA.
Após 2001 foram eleitos governos que apresentavam divergências sensíveis com a pauta estadunidense. Lula (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina), Bachelet (Chile), Morales (Bolívia), Lugos (Paraguai), Correa (Equador), Tabaré Vasquez e José Mujica (Uruguai), além de mais recentemente Ollanta Humala (Peru). Hugo Chavez já havia sido eleito no final dos anos 90 na Venezuela.
Neste período, o aliado preferencial dos EUA tornou-se a Colômbia. Com o argumento de combate à atividade guerrilheira dos narcotraficantes, a Colômbia autorizou os EUA a ocuparem bases militares em seu território. Esta decisão contrariou o interesse dos demais países do continente.
O grande destaque da política externa brasileira na última década foi a Cooperação Sul-Sul. Depois de longas décadas, os Estados Unidos deixaram de ser o principal parceiro comercial brasileiro. Além do aprofundamento das relações com os países da América Latina e Caribe, o Brasil passou a dar atenção especial a parceiros antes negligenciados como Oriente Médio, África, Rússia, China e Oceania.
Da mesma forma, o Brasil passou a ser um importante interlocutor entre os países em desenvolvimento e os países ricos. As sutis relações entre a política externa comércio exterior conferiram ao Brasil um papel de destaque e um posicionamento geoestratégico interessante.
Nesta última década Brasil e Argentina abandonaram a histórica disputa ao menos pela condição de “grande amigo” dos Estados Unidos na região.
A Argentina, que logo nos primeiros meses após o atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos passou por uma convulsão econômica e política, perdeu mais de 10% de seu PIB no espaço de apenas um ano. Em 2001, ano do atentado, a Argentina tinha mais de 27% da população considerada indigente.
A recuperação econômica argentina teve como um dos pilares a suspensão do pagamento da dívida com o FMI e a posterior renegociação dos pagamentos. O Brasil foi escolhido como parceiro comercial prioritário. A Venezuela se tornou uma das maiores consumidoras dos produtos Argentinos.  O país recuperou sua capacidade produtiva, reorganizando sua política cambial.
Mas um ator foi fundamental para a recuperação econômica e o conseqüente sucesso político dos governos sul-americanos da última década. Enquanto os EUA focavam sua atenção em duas guerras na Ásia, a China tornou-se a principal consumidora das commodities dos países do continente. Isso influenciou decisivamente no equilíbrio das contas externas  destes países.
Enquanto Bush destilava sua ira contra os “inimigos do mundo livre” e demonstrava sinais claros de incompreensão sobre a realidade geopolítica, um líder se destacou pelo poder de articulação com o “baixo clero” da comunidade internacional. Lula ganhou status de líder mundial e a política externa brasileira, marcada pelo “soft power” contrastou com o “hard Power” estadunidense e alcançou resultados importantes para o país.

Alguns críticos duvidam do sucesso da política externa brasileira nesta última década e consideram desnecessárias as posições tomadas pelo Brasil, sobretudo na política do Oriente Médio. No entanto, os resultados políticos e econômicos do Brasil são visíveis.
Na América do Sul, o Brasil se consolidou como a grande potência regional. A importância do Brasil, aliás, hoje vai muito além do nosso continente. Juntamente com Rússia, índia, China e África do Sul (BRICS), o país compõe um bloco que serve de alento para o mercado global em recessão.
Se a América do Sul começou a década sendo pressionada para adesão à ALCA, ao final do período havia consolidado a UNASUL que vem se confirmando como um importante fórum de articulação entre as agendas políticas dos países da região. Até mesmo a Colômbia que inicialmente apresentava uma maior resistência quanto à organização do bloco, agora revê sua estratégia e até mesmo reconhece a importância da UNASUL durante o período de crise com a Venezuela.
Ao final do governo Bush, os EUA mergulharam em uma grave crise econômica. Se o país ainda se mantém como maior potência militar do globo, fica clara sua perda de poder financeiro e a capacidade gerenciarem sua hegemonia global.  Aliás, a condição de liderança internacional exige o respeito e adesão da comunidade mundial que parece ter perdido esta referência, após o governo Bush.
A crise mundial levou à desorganização do discurso conservador liberal. As forças políticas conservadoras na América do Sul, tradicionalmente incorporaram a agenda política dos EUA e da Europa. Agora, sem uma referência programática, estão desarticuladas e perdem espaço político em seus países.
A América do Sul dispõe de uma janela de oportunidades. O 1º mundo sofre os efeitos da “era Bush” e nosso continente se consolida como um grande laboratório da nova economia global que deverá prever desenvolvimento, justiça social e responsabilidade e preservação dos recursos naturais.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Passeatas de auditório


Quem não conhece a famosa canção do grupo O Rappa em que se ouve a famosa frase “a paz sem voz, não é paz, é medo”.
A crítica se refere às manifestações pela paz em que as pessoas se vestem de branco e pedem especial atenção das autoridades quanto à questão da violência.
Embora o desejo de paz seja extremamente justificável e passível de respeito, esse tipo de manifestação (sem voz) tende a ser ineficaz porque não se aprofunda em nenhuma questão essencial sobre o problema da violência. A simples manifestação do desejo de paz leva a um grave engano de que a problemática da violência estaria ancorada no fato de que as pessoas estariam cada dia mais violentas.
De nada serve o pedido de paz sem que se estabeleça uma crítica quanto à péssima distribuição de renda no Brasil ou de como estamos fincados em uma sociedade de consumo vulgar que valoriza aquele que tem posses, em detrimento do mérito.

Dos meios utilizados para ostentação do luxo.

Da falsa idéia difundida pelos meios de comunicação de mobilidade social rápida em que se supera uma condição vergonhosa de pobreza da noite para o dia com carros, casas, caminhões ou aviões ganhos em programas de auditório.

Dos crápulas desonestos que ganham status de celebridades nas revistas de fofocas e colunas sociais.

Da falta de acesso da população pobre aos canais institucionais, em especial ao judiciário. Da educação pública de péssima qualidade que envergonha este país que se propõe a ser uma potência.

Roupa branca, nariz de palhaço, vassouras e outras alegorias utilizadas para chamar atenção das lentes das câmeras e dos fotógrafos em manifestações “antenadas” são de cara um sinal de que o protesto carece de consistência política e fundamento ideológico.
Durante o fim de semana ocorreram manifestações em algumas cidades “contra a corrupção”.
Muito bem! Estas iniciativas merecem o nosso apoio, mas para além do aspecto alegórico, elas partem de um falso princípio de que os políticos são maus e a iniciativa privada é boa. De que o problema da corrupção se resume aos políticos nefastos que se incorporaram no poder executivo e nos legislativos.

As manifestações convocadas por meio de redes sociais sentem orgulho em se auto-proclamarem apartidárias. Ser apartidário torna-se um valor em si mesmo.

Ou seja, um partido político carregaria consigo um germe que viciaria os princípios e os fins do “movimento”.
Mesmo bem intencionados – e falo muito sério quanto à minha solidariedade aos manifestantes – este tipo de protesto contém todos os elementos necessários para que se prolifere um discurso fascista.

Estaríamos todos à espera de um elemento externo ao processo político atual alheio ao panorama político partidário (apartidário) e com o aval da população para subordinar toda a classe política aos “clamores” da sociedade civil que conferiria a este líder plenos poderes para redimir nosso país enfermo com a chaga da corrupção.
Melhor seria se estas manifestações denunciassem o método pelo qual os grandes grupos econômicos se tornaram os principais beneficiários do Estado e de toda a riqueza nacional.

Como esta elite econômica interfere no processo decisório financiando campanhas eleitorais e fazendo com que a corrupção de alguns políticos em situações estratégicas lhes seja absolutamente conveniente e interessante.

Denunciar como estes grandes grupos se transformaram também nos maiores anunciantes da grande mídia que pretende colocar os políticos e os partidos de joelhos para aprovar sua agenda de destruição nacional.

De como algumas corporações se apropriaram das empresas estatais construídas com o suor do povo brasileiro, comprando estas empresas a preço de banana e com financiamento público.
Não existem corruptos sem corruptores. A tentativa de vender a idéia de que políticos são maus e o mercado é bom nada mais é do que um método para afastar a população dos partidos políticos e das grandes decisões nacionais.

Enfraquecendo a democracia representativa na esperança de que essa liderança seja conferida aos grupos de comunicação em massa, que há tempos vem perdendo poder de influência.

Não é a toa que mesmo com a propaganda da grande mídia tenha ido tão pouca gente nessas manifestações sem pé nem cabeça.

A Folha disse em artigo que as manifestações pelo impeachment de Collor foram realizadas sem um comando central. Besteira. Os partidos políticos de esquerda e também de centro atuaram diretamente nas mobilizações, além de entidades representativas de estudantes, mulheres e trabalhadores.
Naquela ocasião, ouvia-se que as pessoas foram manipuladas.

Aí está a resposta, quase vinte anos depois.

Vemos que as pessoas não saem às ruas pelo simples chamado da imprensa. As pessoas se mobilizam quando existe sustentação política e ideológica.
A velha imprensa precisa aprender que o mundo real não é o mundo televisivo. As ruas da cidade não são cenário de novelas e o povo brasileiro não é figurante destas peças publicitárias.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Globo repete "silêncio" sobre DIRETAS JÁ e omite o FORA RICARDO TEIXEIRA



O movimento FORA RICARDO TEIXEIRA vem ganhando força.
Em todo país pipocam manifestações, desorganizadas é verdade, mas demonstram o esgotamento da população brasileira com o mandatário máximo do futebol.
Inicialmente, alguns jornalistas de maneira autônoma (e quase clandestina) clamavam pela queda do déspota.
Agora, a maioria dos órgãos de imprensa já noticia os protestos dos torcedores brasileiros pela saída de Teixeira.
O último bastião de resistência teixeirista é a Rede Globo de Televisão.
Novidade nenhuma.
Vale lembrar que nas manifestações pelas DIRETAS JÁ, nos anos 80, a TV Globo foi a última a noticiar os acontecimentos que já adquiriam naquele momento importância histórica.
A Globo defendeu a ditadura militar até os seus últimos suspiros porque seus interesses corporativos sempre foram convergentes com a manutenção do regime. A empresa alcançou a liderança nas comunicações por conta de sua fina relação com o governo militar.
Da mesma forma, as Organizações Globo passaram a contar com o monopólio nas transmissões dos jogos do campeonato brasileiro e da seleção durante a longa gestão de Ricardo Teixeira.
A aliança entre Teixeira e Globo levou o futebol brasileiro a estar efetivamente privatizado, tanto em sua organização institucional como na sua difusão cultural.
O afastamento do povo brasileiro com sua seleção é algo visível. Os jogadores, meros empregados de luxo, estão alienados do processo decisório e tal qual seu chefe na CBF, preocupam-se mais com os resultados econômicos do que com as conquistas. O desejo pela vitória e o gosto em fazer história estão subordinados à segurança econômica.
Durante as DIRETAS JÁ a TV Globo não somente omitiu as informações sobre as manifestações, como também deturpou o propósito do movimento. O Jornal Nacional chegou a noticiar que ocorria uma festa pelo aniversário da cidade de São Paulo, quando na verdade as pessoas se reuniam pelo fim da ditadura militar e eleições diretas para presidente. Isso quando os outros órgãos de imprensa já noticiavam abertamente as manifestações pelas DIRETAS JÁ.
As manifestações pela saída de Ricardo Teixeira não tem nem de perto a importância do movimento pelas diretas. No entanto, podemos ver como certas práticas não mudaram com o tempo. Sobretudo quando os interesses políticos e econômicos falam mais alto.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Neoliberais resscucitam Margareth Thatcher para "explicar" a crise


Circula pela internet, através de blogues e e-mails uma frase antiga da ex ministra britânica Margareth Thatcher que dizia: “O socialismo só resiste enquanto não acaba o dinheiro dos outros”.
Ela vem grifada, como se fosse uma grande verdade universal.
A frase de Thatcher, aplicada ao contexto atual, partiria de um falso princípio de que a crise européia seria resultado do fracasso de alguns governos socialistas.
Trata-se de um grave engano.
O fracasso econômico europeu não se deve às gestões socialistas. Ao contrário, foram os governos liberais que levaram o velho continente à bancarrota.
Mesmo governos de partidos denominados socialistas, como é o caso de Zapatero na Espanha, chegaram à beira do abismo depois de deixarem suas economias excessivamente expostas ao capital especulativo internacional, negligenciando a produção nacional, achatando a renda dos contribuintes  e criando uma crônica dependência do capital financeiro volátil.
Além do mais, países como a Itália são governados pela direita. Não consta na historiografia recente que Berlusconi tenha se convertido ao socialismo.
Outros países como Portugal, Grécia, Islândia e Irlanda, derreteram suas economias justamente por adotarem o modelão neoliberal globalizado. Sem moeda própria, estão absolutamente impedidos de reagir.
A frase de Thatcher já seria suficientemente estúpida, já que o próprio capitalismo europeu sempre dependeu do dinheiro dos outros, seja na pilhagem da riqueza dos países colonizados, seja nos aportes financeiros recebidos dos Estados Unidos no pós-guerra. Não seria necessário um complemento ou uma aplicação mais esdrúxula ainda.
Agora, alguns expoentes da teoria econômica liberal fazem um esforço danado para difundir por meio da imprensa internacional a idéia de que esta crise iniciada em 2008 deixou de ser uma crise do mercado financeiro global e passou a ser uma crise e endividamento dos Estados.
Tenho publicado algumas postagens falando do tema.
Mas não nos enganemos. Esta é uma crise do neoliberalismo global. Falemos isso com todas as letras.
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Como um pérfido recurso de salvação econômica, o imperialismo da OTAN decidiu se apoderar do petróleo dos países árabes que não rezam sob a cartilha da hegemonia estadunidense. A estratégia é aproveitar esta “janela de oportunidades” que se abriu a partir da revolta de parte das populações contra seus governos ditatoriais.
Embora alguns grupos rebeldes recebam armas e dinheiro para suas operações, os bombardeios realizados pela OTAN deixam claro que o método é simples. Roubar o petróleo destes países apoiando novas ditaduras alinhadas com os interesses dos países ricos.